Assassinato de João Alberto no Carrefour vai completar 2 anos: “Foi racismo”, diz pai

João Alberto foi assassinado na véspera do Dia da Consciência Negra
(Foto: Divulgação)
João Alberto foi assassinado na véspera do Dia da Consciência Negra (Foto: Divulgação)
  • Assassinato de João Alberto Silveira Freitas vai completar 2 anos neste sábado (19);

  • Vítima era um homem negro que morreu após ser espancado por seguranças do Carrefour;

  • Nesta semana, Justiça decidiu levar o caso a júri popular.

O assassinato de João Alberto Silveira Freitas, homem negro que morreu após ser espancado em uma unidade do Carrefour em Porto Alegre, completa dois anos neste sábado (19), véspera do Dia da Consciência Negra. Nesta semana, a Justiça determinou que os réus devem ir a júri popular.

O crime que abalou o Brasil e provocou manifestações antirracistas em Porto Alegre e outras cidades aconteceu na noite de 19 de novembro de 2020. João Alberto tinha 40 anos quando foi agredido pelos seguranças do supermercado. Segundo a Polícia Civil, houve um exagero nas agressões, resultado da fragilidade socioeconômica da vítima.

"O racismo estrutural, que são aquelas concepções arraigadas na sociedade, foram sim fundamentais no determinar da conduta dessas pessoas naquele caso", disse a delegada Roberta Bertoldo na época.

Para João Batista Freitas, pai de João Alberto, “se conformar com a perda” é uma coisa que tem que ser feita, mas ele diz que a “vida nunca mais voltou a ser a mesma”. Ao g1, ele disse acreditar que o crime teve como motivação o racismo.

"Eu acredito que sim. Até mesmo pela Justiça, com o processo que está correndo. Eu acredito que ele foi morto por racismo", pontuou.

João Batista relembra que o filho, por diversas vezes, sentiu que era observado com desconfiança por funcionários de lojas e que já havia sido acompanhado por seguranças. Para ele, “uma violência puxa a outra” e o que resta é a “sede de Justiça”.

Hoje, o pai vê o filho somente em algumas fotos, em uma caixinha de documentos e nas músicas que os dois costumavam cantar juntos.

Julgamento

Os acusados de homicídio triplamente qualificado - motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima – são: os seguranças Magno Braz Borges e Giovane Gaspar da Silva; os funcionários do Carrefour Adriana Alves Dutra, Kleiton Silva Santos e Rafael Rezende; e o funcionário da empresa de segurança Paulo Francisco da Silva.

A data do júri popular ainda não foi marcada e os acusados podem recorrer da decisão. Magno, Giovane e Adriana seguem presos – ela em prisão domiciliar.

Segundo o Ministério Público, o motivo torpe deve-se à condição de vulnerabilidade econômica de João e ao preconceito racial; o emprego de meio cruel refere-se ao espancamento brutal e morte por compressão torácica; e o recurso que dificultou a defesa da vítima tem a ver com a ação dos seguranças, em superioridade numérica.

O Carrefour assinou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) de R$ 115 milhões no caso. O dinheiro é destinado a políticas de enfrentamento ao racismo. A empresa de segurança Vector, contratada pelo supermercado na época, também assinou acordo judicial.

Milena Borges Alves, viúva de João Alberto, também firmou acordo de indenização com o Carrefour. O valor não foi divulgado, mas seria superior ao oferecido inicialmente pela empresa, de R$ 1 milhão.