Assassinato de petista no PR teve 13 tiros disparados, aponta laudo da polícia

Militante petista e tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu, Marcelo Arruda foi assassinado por bolsonarista durante celebração do próprio aniversário de 50 anos (Foto: Reprodução)
Militante petista e tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu, Marcelo Arruda foi assassinado por bolsonarista durante celebração do próprio aniversário de 50 anos (Foto: Reprodução)

Ao menos 13 tiros foram disparados durante o confronto que matou o guarda municipal e tesoureiro do PT Marcelo Arruda, durante sua festa de aniversário, em Foz do Iguaçu (PR). A contabilização dos disparos consta no laudo da Polícia Científica do Paraná, divulgado nesta segunda-feira (25).

O documento descarta ainda que o assassino do petista, o agente penal federal Jorge Guaranho, tenha tido o carro atingido por pedras atiradas por Arruda, como constava no depoimento à polícia da mulher de Guaranho.

O agente invadiu o aniversário de Arruda no último dia 9 e o matou a tiros. Arruda comemorava os 50 anos em uma festa com temática do PT e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O agente penal é apoiador do atual presidente Jair Bolsonaro (PL).

O laudo de 32 páginas relata foram encontradas 13 estojos de arma ponto 380, além de um estojo de arma calibre ponto 40, na sede da Associação Recreativa e Esportiva Saúde Física (Aresf), local onde a festa era realizada.

A Polícia Científica, no entanto, não identificou quais cartuchos foram disparados por Guaranho e quais teriam sido disparados por Arruda.

Na semana passada, Guaranho virou réu por homicídio duplamente qualificado em denúncia recebida pelo juiz do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) Gustavo Germano Francisco Arguello.

O Ministério Público do Paraná havia oferecido a denúncia na quarta-feira passada. Segundo o órgão, o crime foi cometido por motivo fútil e perigo comum. A avaliação difere da apresentada pela Polícia Civil, que havia indiciado Guaranho por homicídio qualificado por motivo torpe.

O juiz do TJ-PR deu 10 dias para Guaranho apresentar sua defesa por escrito.

— [O caso] possui a presença de indícios suficientes de autoria e prova de materialidade do crime — escreveu Arguello no despacho.

O inquérito que investigou o crime foi finalizado na última sexta-feira, 15. A Polícia Civil do Paraná concluiu que o homicídio não pode ser considerado um crime de ódio, por motivação política.

Porém, após pedidos do Ministério Público do Paraná e da família de Arruda, o juiz Gustavo Arguello, da 3ª Vara Criminal de Foz do Iguaçu (PR), determinou o retorno do inquérito à Polícia Civil. O magistrado solicitou aos investigadores o cumprimento de novas investigações.

'Petista vai morrer tudo', disse agente bolsonarista antes de atirar

Quando Jorge Guaranho voltou até a festa de Marcelo Arruda, petista assassinado em Foz do Iguaçu, ele entrou no local da comemoração, com uma arma de fogo na mão, dizendo: “Petista vai morrer tudo”.

Em seguida, disparou dois tiros contra o aniversariante, que também era tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu.

A descrição está na denúncia apresentada pelo Ministério Público do Paraná sobre o assassinato de Marcelo Arruda, ocorrida no último dia 9.

“Ainda na parte externa, JORGE JOSÉ DA ROCHA GUARANHO, dolosamente e imbuído da mesma fútil motivação, dizendo ‘petista vai morrer tudo’, detonou dois disparos contra a vítima, atingindo-a no abdômen e na coxa direita, o que a fez cair. Ato contínuo, o denunciado, correndo, ingressou no quiosque e, extravasando todo seu animus necandi, detonou mais um disparo na vítima já caída, sem, contudo, alvejá-la, por força da intervenção de Pâmela”, descrevem os promotores. O MP descreve o motivo como fútil e cita "preferência político-partidárias".

com informações do jornal O Globo

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