Assassinato de jovem gay de origem brasileira gera revolta na Espanha

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O assassinato de Samuel Muñiz, jovem gay de origem brasileira que morreu após ser espancado na rua, gerou uma forte onda de protestos contra a homofobia na Espanha. Na segunda (5), houve grandes atos em Madri, Barcelona e Corunha, onde o crime ocorreu. Nesta terça (6), três suspeitos foram presos.

Samuel, 24, estava próximo a uma boate na orla de Corunha, cidade de cerca de 250 mil habitantes na Galícia, na madrugada de sábado (3). Naquele horário, muitos jovens circulavam entre bares e festas, aproveitando a reabertura de atrações noturnas, após a retirada de restrições para conter a Covid-19.

Assistente de enfermagem, Samuel trabalhava em uma residência de idosos na entidade social Padre Rubinos. Filho de um brasileiro, Maxsoud Luiz, e de uma espanhola, ele vivia na Espanha desde bebê, segundo a imprensa espanhola.

Na noite de sexta para sábado, o jovem estava com algumas amigas perto do Playa Club, um bar e balada com vista para o mar. Lina, amiga de Samuel, contou ao jornal La Voz de Galicia que os dois estavam com mais duas amigas no bar. Por volta das 3h, os dois saíram para fumar do lado de fora. Neste momento, ela fez uma videochamada para outra amiga, Vanesa, e Samuel também participou da conversa.

Enquanto falavam e riam, eles giraram o celular para mostrar o ambiente. Enquanto isso, passou um casal, e o homem, que estaria bastante bêbado, achou que estava sendo filmado. Lina disse que os dois tentaram explicar que estavam em uma chamada, mas não adiantou.

"Pare de gravar se não quer que te mate, puto viado", ameaçou o agressor, segundo uma testemunha. Há relatos de que o agressor estava muito bêbado. Samuel teria respondido: "viado de quê?". Em seguida, ele deu um soco em Samuel e o jogou ao chão, mas um jovem que estava por perto entrou no meio e conteve o ataque. A identidade do homem que conteve a briga ainda não foi descoberta. Sabe-se apenas que ele tinha origem africana.

O agressor se afastou, mas pouco depois voltou ao local com um grupo com mais de dez pessoas. Samuel tentou fugir, mas foi perseguido, atingido por socos e chutes e caiu no chão, a cerca de 200 metros do local onde começou o ataque. "O garoto tenta escapar em várias ocasiões. Cai e se levanta umas três vezes. Chega a atravessar a rua, mas voltam a alcançá-lo e seguem batendo", relatou uma testemunha ao jornal El País.

A surra durou cerca de um minuto e parou quando o grupo percebeu que a vítima não se mexia mais. Equipes de resgate foram chamadas, mas não conseguiram reanimar Samuel, que morreu no hospital.

Na orla onde ocorreu o ataque, perto da praia de Riazor, há diversos prédios residenciais, o estádio de futebol do Deportivo La Coruña, alguns comércios e muitas câmeras, que registraram a segunda parte da agressão. Até agora, a polícia identificou sete pessoas como autores do ataque, além de outras seis que estavam com os agressores, mas não se envolveram no ato. Três acusados foram presos até agora. A polícia não revelou seus nomes, mas disse que eles têm idade entre 20 e 25 anos e eram moradores de Corunha.

As autoridades ainda investigam se o caso foi motivado por homofobia. "Ainda vamos saber se foram delitos de ódio e homofobia. Não estou dizendo que seja errado [pensar que foi homofobia], mas me parece mera especulação", disse Alberto Feijóo, governador da Galícia e filiado ao PP (direita).

O caso gerou uma onda de revolta contra a violência e o preconceito a LGBTs. Uma amiga de Samuel publicou uma mensagem no Twitter, que viralizou e deu origem à onda de protestos. "O mataram por sua orientação sexual", escreveu ela.

Em seguida, outros relatos de ataques contra pessoas LGBT na Espanha foram lembrados nas redes sociais e nos protestos, que reuniram milhares de pessoas. Nos atos em Madri, a polícia atacou manifestantes com golpes de cassetete. O governo disse que investigará se houve excessos na repressão.

Partidos políticos e autoridades de governo também se pronunciaram sobre o caso. "É muito importante que se torne visível o rechaço social a estas atitudes [de homofobia], porque assim poderemos combatê-las e fazer com que as pessoas deixem de se sentir impunes", disse María Jesús Montero, ministra da Fazenda e porta-voz do governo da Espanha, chefiado pelo PSOE (esquerda).

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