Assassinatos de jornalistas diminuem no mundo, mas a impunidade persiste, segundo a UNESCO

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O México foi o país mais perigoso para jornalistas em 2019, medido pelas mortes, disse o relatório da ONU. Esta foto mostra o funeral da repórter Norma Sarabia em junho do ano passado.
O México foi o país mais perigoso para jornalistas em 2019, medido pelas mortes, disse o relatório da ONU. Esta foto mostra o funeral da repórter Norma Sarabia em junho do ano passado.

O número de jornalistas mortos no exercício de suas funções caiu em 2018 e 2019, mas a profissão enfrenta impunidade generalizada e riscos crescentes às margens dos conflitos armados, segundo a UNESCO. 

"Na última década, um jornalista foi assassinado em média a cada quatro dias", segundo o relatório publicado nesta segunda-feira (2) pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. 

Em 2018 e 2019, foram registradas 156 mortes, sendo a América Latina e o Caribe as regiões mais afetadas. 

No entanto, o ano passado contabilizou "o menor número de mortos na última década, com um total de 57", de acordo com o relatório. 

Mas o jornalismo continua sendo "uma profissão perigosa", com um aumento dos riscos em países que não enfrentam conflitos armados.

"É uma tendência preocupante que mostra que a maioria dos jornalistas atualmente morre em situações que não são de conflito, mas por terem feito reportagens sobre corrupção, violações de direitos humanos, crimes ambientais, tráfico e crimes políticos", segundo a organização da ONU. 

A entidade também destaca que as mulheres jornalistas podem ser vítimas de violência e assédio, inclusive virtual. 

A profissão também enfrenta uma "impunidade generalizada": em 2020, apenas 13% dos assassinatos foram "relatados por Estados-membros da ONU como casos resolvidos por um processo judicial conduzido até o fim", em comparação a 11% em 2018. 

A maioria dos assassinatos em 2018-2019 ocorreu na América Latina e no Caribe (31% do total), região seguida pela Ásia-Pacífico (30%).

O relatório da Unesco foi publicado no Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas. 

A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) indicou que 32 jornalistas e colaboradores da imprensa foram assassinados até o momento este ano, um número inferior ao do ano passado, especialmente devido à pandemia de Covid-19.

fpo/app/mb/jc