Assembleia Legislativa do Rio se muda para novo prédio após três anos de reformas

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Um pedestre mais desavisado que passe em frente ao número 5 da Rua da Ajuda, no Centro do Rio, pode não perceber o movimento de entrada e saída do antigo prédio do Banerj que, a partir o mês que vem, funcionará como única sede da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A obra, que está em fase de conclusão, já custou mais de R$ 161 milhões e substituirá as três sedes que a Casa Legislativa mantém, e nas quais atualmente se divide — além do Palácio Tiradentes, a Alerj também ocupa um prédio na Rua da Alfândega e um anexo na Praça XV. Com a mudança, todos os setores do Legislativo passarão a trabalhar de forma integrada e os serviços serão modernizados.

Boa parte dos 70 gabinetes da Alerj já foi transferida e a expectativa é de que até o mês que vem todos os setores administrativos já estejam concentrados no mesmo local, chamado informalmente de "Alerjão" — numa referência ao antigo prédio do Banco do Estado do Rio de Janeiro, apelidado de Banerjão. O novo plenário da Casa, que é considerado a "joia da coroa" da obra, no entanto, só deve ser inaugurado em agosto, quando o recesso legislativo chegar ao fim.

O espaço é 25% maior do que o dedicado às sessões legislativas no Palácio Tiradentes e custou aproximadamente R$ 1 milhão para que fosse adaptado. O sistema de áudio do prédio, que contempla o plenário, custou aproximadamente R$ 800 mil. O painel de votações será "o mais moderno do Brasil", de acordo com o diretor-geral da Alerj, Wagner Victer.

Com sete metros de largura e dois de altura, o painel é formado por 252 telas de LED combinadas e tem resolução em alta definição. Os votos de parlamentares serão feitos de maneira digital, por meio de tablets.

O antigo prédio do Banerj voltará a ser integralmente ocupado depois de quase duas décadas de abandono. No total, foram quase três anos de obras para que a Assembleia pudesse se instalar no local. Os debates sobre um novo prédio da Alerj se estenderam por mais de dez anos. O Palácio Tiradentes era considerado obsoleto para concentrar um volume tão grande de funcionários e não atendia, por exemplo, as exigências do Corpo de Bombeiros.

Obras de adequação na sede histórica teriam custo elevado. Wagner Victer explica que a decisão de ocupar o antigo prédio do Banerj veio depois de uma série de estudos que apontaram o impacto positivo da obra sobre a economia da região do Buraco no Lume, no Centro. No total, as obras do Alerjão custaram 6% a mais do que o previsto na licitação inicial, que estimava gastos em torno de R$ 145 milhões.

— O Palácio Tiradentes já não cumpria requisitos de acessibilidade, combate a incêndios e sustentabilidade. Nenhum dos três prédios da Alerj tinham licença dos Bombeiros, por exemplo. As obras necessárias teriam um custo altíssimo. Já a construção de um novo prédio partiria de R$ 600 milhões. O aluguel de outro espaço traria um custo agregado alto, por isso o antigo prédio do Banerj, que estava vazio, se mostrou a melhor opção. As obras, somadas, giram em torno de R$ 160 milhões. Por dia, mais de 5 mil pessoas vão circular pelo prédio e trazer movimento à região do Buraco do Lume, que fica entre as Barcas da Praça XV e a Cinelândia — afirma.

O Tiradentes passará por obras e, por lá, será construído o Museu da Democracia. O plenário do local será preservado e usado apenas para sessões solenes, como posses e votações da presidência da Casa. O projeto deve ser conduzido pelo departamento de engenharia da Uerj, que está fechando um convênio com a Assembleia Legislativa.

— Imagine para os alunos da universidade, que poderão aprender, enquanto ajudam na execução das obras de construção de um museu, em um prédio tombado — se empolga Victer.

O prédio da Rua da Alfândega, por sua vez, passará a ser ocupado pelo Rio Previdência. Já o anexo da Praça XV será devolvido ao Governo e ainda não tem um futuro certo.

Para comportar 70 deputados e mais de 5 mil funcionários, o novo prédio da Alerj contará com uma estrutura robusta: serão 31 andares e três subsolos. Cada um dos gabinetes terá aproximadamente 100 metros quadrados. No anexo da Alerj, por exemplo, os gabinetes eram até 30% menores e eram separados por divisórias de plástico. A reforma manteve heranças do antigo prédio do Banerj.

— As janelas antirruído são as mesmas dos anos 1960, os pisos de granito foram mantidos, mas ganharam faixas condutórias para pessoas com deficiência visual. As paredes de mármore passaram por limpeza e reforma, são de uma beleza ímpar — comenta Victer. No subsolo, no mesmo local onde ficava o cofre do banco, jornalistas poderão trabalhar em uma sala anexa ao plenário.

No último andar do subsolo, uma estação de tratamento de água permitirá o reaproveitamento dos recursos naturais: um maquinário com capacidade de tratamento de até 500 mil litros de água por dia será responsável por reutilizar os recursos usados nos banheiros da Casa Legislativa no sistema de ar condicionado. Enquanto isso, duas linhas de energia trabalharão simultaneamente, de maneira a nunca deixar que a luz da Alerj caia. A produção energética do local seria suficiente para abastecer uma cidade com 10 mil habitantes.

Nos últimos meses, o presidente da Alerj, André Ceciliano, e o presidente da Câmara dos Vereadores, Carlo Caiado, chegaram a conversar sobre um possível uso do anexo da Alerj pelos vereadores do Rio, depois do esvaziamento do prédio. Sem atender às exigências do Corpo de Bombeiros, a Câmara também precisará de obras e pode ter os seus gabinetes realocados por algum tempo.

No entanto, o plano foi cancelado, diante do fato de o anexo da Alerj não possuir alvará dos Bombeiros. A mudança foi considerada "sem lógica" e a Câmara ainda não definiu onde será a sua sede, enquanto as obras transcorrerem.

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