Assentamentos urbanos e pirâmides de mais de 1.500 anos são identificados na Amazônia

Diferentemente do que muitos acreditavam, a Amazônia pré-colonial possuía cidades habitadas e conectadas, com infraestrutura complexa e sociedades urbanas. Uma recente publicação de um grupo de pesquisadores alemães, na revista Nature, demonstrou, de forma inédita, a ocupação na região boliviana da Amazônia, onde ficou comprovada a existência de 26 assentamentos e de pirâmides de até 22 metros de altura, que pertenciam à cultura Casarabe, entre 500 e 1400 d.C.

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Os pesquisadores utilizaram uma tecnologia chamada “lidar”, que funciona a partir de laser aéreo e remove, virtualmente, a vegetação da área, proporcionando a visão da terra limpa. Com isso, eles identificaram que, há 1.500 anos, os povos Casarebe estavam instalados na região, em assentamentos definidos como “urbano tropical de baixa densidade”, ocupando uma área de cerca de 16 mil quilômetros quadrados.

— Essa é a primeira evidência clara de que havia sociedades urbanas nessa parte da Bacia Amazônica — afirmou, na publicação da Nature, Jonas Gregorio de Souza, arqueólogo da Universidade Pompeu Fabra, de Barcelona.

Em 2019, a equipe liderada pelo arqueólogo Heiko Prümers, do Instituto Arqueológico Alemão, que classificou a descoberta como “surpreendente”, sobrevoou a área e, com a tecnologia lidar, conseguiu revelar o tamanho e o formato dos 26 assentamentos. Do total, dois eram grandes, ocupando uma área de cem hectares, três vezes maior que o Vaticano, e os demais, de menor porte. Além disso, foram revelados terraços de seis metros de altura e as pirâmides de 22 metros, cercadas por estradas de quilômetros de extensão. Existem, também, indicação de que havia plantações de milho e canais e reservatórios de água. Ainda não há conclusões, porém, sobre o motivo de os assentamentos terem sido abandonados.

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Nos últimos anos, cresceram as pesquisas acerca da possibilidade de ocupação urbana na época pré-colonial na Amazônia. Apesar da vida humana existir na bacia há dez mil anos, especialistas acreditavam que, antes da chegada dos europeus colonizadores, a ocupação se dava em pequenas e isoladas comunidades.

Uma suspeita, inclusive, era que o tipo de solo da Amazônia impedia a presença de grandes comunidades agrícolas. Essa visão mudou nos anos 2000, quando pesquisadores concluíram que o homem manipulava plantações na região e, anos depois, a nova visão foi reforçada, com a descoberta de centenas de grandes estruturas montanhosas. Essas estruturas sugeriam antigas sociedades organizadas, o que motivou o investimento em novas pesquisas.

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