Assessor mais poderoso e controverso de Boris Johnson deixa Downing Street

Anna CUENCA
·3 minuto de leitura
Dominic Cummings chega ao número 10 de Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro britânico, em 13 de novembro de 2020, em Londres

Assessor mais poderoso e controverso de Boris Johnson deixa Downing Street

Dominic Cummings chega ao número 10 de Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro britânico, em 13 de novembro de 2020, em Londres

O influente e controverso "assessor especial" do primeiro-ministro britânico, Dominic Cummings, artífice da vitória eleitoral de Boris Johnson e da campanha pelo Brexit, deixou o cargo nesta sexta-feira (13).

Cummings, que tinha admitido em uma entrevista que pensava partir antes do fim do ano, foi visto nesta sexta levando caixas de dentro de Downing Street. Uma fonte do governo confirmou sua saída do governo, oficialmente a partir de "meados de dezembro", por causa de disputas internas.

O conselheiro havia negado anteriormente à BBC que estivesse inclinado à saída após a renúncia do diretor de comunicação de Johnson e grande aliado seu, Lee Cain.

Os "rumores sobre minhas ameaças de demissão são invenções", afirmou, assegurando que sua partida estava prevista desde o começo do ano: "minha posição não mudou desde meu blog de janeiro", disse, em alusão a uma postagem na qual anunciou o desejo de se tornar "desnecessário" para o Executivo no final de 2020.

Disputas internas levaram à demissão de Chain na quarta-feira, depois que, segundo a imprensa, importantes personalidades do Partido Conservador, inclusive a noiva do primeiro-ministro, Carrie Symonds, se opuseram a que fosse nomeado diretor do gabinete de Johnson.

Cummings, de 48 anos, um renomado estrategista político sem filiação política e conhecido por não se deter diante de nada para alcançar seus objetivos, é considerado o artífice da esmagadora vitória eleitoral do líder conservador nas eleições legislativas de dezembro passado.

Anteriormente, no referendo de 2016, já havia liderado a estratégia de comunicação da campanha a favor do Brexit, vencida graças a uma controversa ofensiva centrada nas redes sociais, que lhe permitiu chegar aos britânicos, habitualmente desinteressados em política e que geralmente não votam.

No entanto, desde sua chegada ao cargo todo-poderoso de "assessor especial", muitos colocaram em dúvida se as táticas que funcionam na campanha também podem ser aplicadas à gestão governamental.

Cummings ganhou muitas inimizades de altos funcionários por seu desejo de remodelar a função pública e entre membros do Partido Conservador, que o acusavam de tomar as decisões no lugar de Johnson.

- "Psicopata profissional" -

"Os assessores vêm e vão", disse o ministro dos Transportes, Grant Shapps, ao canal Sky News. "Sentiremos falta dele, mas evoluiremos para uma fase diferente", acrescentou, em alusão ao fim, em 31 de dezembro, do período de transição que conclui um Brexit considerado a grande missão de Cummings.

Taxativo e distante, Cummings foi tachado de "psicopata profissional" pelo ex-primeiro-ministro conservador David Cameron e também foi comparado a Steve Bannon, o polêmico ex-conselheiro do presidente americano, Donald Trump.

Conhecido por sua indumentária descuidada, composta de moletom e gorros de lã, com os quais é flagrado frequentemente pelos fotógrafos chegando à famosa porta preta do número 10 de Downing Street, onde fica a residência oficial do primeiro-ministro, foi protagonista de mais de um escândalo de grande repercussão.

Em março de 2019, foi considerado culpado de ultraje ao Parlamento por se negar a comparecer perante uma comissão que investigava a difusão de notícias falsas durante a campanha do referendo do Brexit.

Cummings defendeu sua atitude na ocasião e disse com desdém que a comissão tinha "mais interesse na encenação do que em buscar a verdade".

Um ano depois, fez uma viagem polêmica de 400 km de Londres à sua cidade natal, no nordeste da Inglaterra, quando o país estava em pleno confinamento, com proibições estritas às viagens.

Seus críticos consideraram que o "assessor especial" acreditava estar acima de tudo e desprezava as regras impostas aos britânicos comuns devido à pandemia, o que contribuiu para fazer afundar a popularidade de Johnson nas pesquisas.

Mas o primeiro-ministro deu a polêmica por encerrada, afirmando que a polícia "não vai tomar nenhuma ação e eu tenho a intenção de traçar uma linha sobre este assunto". E, pelo menos então, conseguiu evitar sua saída da equipe do governo, pedida por 40 de seus próprios deputados.

acc-jz/eg/mvv