Assessor de Trump convida Bolsonaro para visitar EUA

SÉRGIO RANGEL E ÍTALO NOGUEIRA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O presidente eleito, Jair Bolsonaro, prestou continência para o assessor de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, antes de uma reunião entre os dois na manhã desta quinta-feira (29) no Rio.

Depois de deixar o local, Bolton disse nas redes sociais que a reunião "foi muito produtiva" e convidou Bolsonaro para um encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump. "Estamos ansiosos para uma parceria dinâmica com o Brasil", escreveu.

Bolsonaro afirmou que pretende ir aos Estados Unidos após a realização da cirurgia para retirada de sua bolsa de colostomia, implantada em razão do ataque que sofreu durante a campanha eleitoral.

O encontro foi realizado na casa de Bolsonaro, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.

Bolton chegou às 6h54 escoltado por batedores da Polícia Militar numa comitiva com quatro carros e não falou com os jornalistas. Ele deixou o local uma hora depois.

O assessor é um dos principais conselheiros do presidente Donald Trump em política externa e figura controversa.Ele costuma criticar os governos de Venezuela, Cuba e Nicarágua, que chama de "Troica da Tirania".

Bolsonaro disse que conversou com Bolton sobre medidas diplomáticas contra Venezuela e Cuba.

"Venezuela é uma questão que vem lá de trás, temos de buscar soluções. Pela cláusula democrática a Venezuela sequer poderia entrar no Mercosul. Medidas precisam ser tomadas", afirmou o presidente eleito, após evento na Vila Militar.

"Sabemos que existem lá cerca de 80 mil cubanos. A Venezuela tem mais esse agravante. Vai ser difícil tirar a Venezuela dessa situação. Faremos o possível pelas vias legais e pacíficas para resolver esse problema. Porque nós sentimos reflexo da ditadura que se instala na Venezuela", disse ele.

Bolsonaro disse também que discutiu com Bolton sobre a mudança da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

"Essa possibilidade existe. Jerusalém tem duas partes. Uma parte não está em litígio. A embaixada americana está nessa parte", declarou o presidente eleito.

A conversa entre o brasileiro e o americano também tratou de questões econômicas, segundo Bolsonaro.

"Terrorismo não entrou na conversa. Mas a questão das barreiras, das taxas alfandegárias, as dificuldades de se fazer negócio aqui. Transmiti a ele, junto com a equipe econômica, no sentido de facilitar o comércio com Estados Unidos e o mundo tudo sem prejudicar a nossa economia", afirmou o presidente eleito.

Bolsonaro disse ainda que sua primeira viagem internacional após a posse será a países da América do Sul. "Estamos estudando uma viagem curta para a América do Sul. Paraguai, Argentina e Chile."