Assessores de Biden tentaram evitar retirada abrupta do Afeganistão, diz livro

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O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, se dirige ao secretário de Estado Antony Blinken enquanto fala sobre o Afeganistão, em 20 de agosto de 2021 (AFP/ANDREW CABALLERO-REYNOLDS)
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Os principais integrantes do gabinete do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, tentaram dissuadi-lo, mas sem sucesso, de retirar totalmente as tropas americanas do Afeganistão, na esperança de que ele aproveitasse a saída para buscar um acordo, segundo um novo livro que será lançado na próxima semana.

Segundo "Peril" ("Perigo", em tradução livre do inglês), o livro escrito pelo renomado jornalista investigativo Bob Woodward e seu colega de Washington Post, Robert Costa, que teve alguns trechos divulgados pela emissora CNN, o secretário de Estado, Antony Blinken, e o titular de Defesa, Lloyd Austin, pressionaram por uma redução mais lenta do contingente americano para encorajar as negociações entre os talibãs e o governo afegão.

Blinken, que trabalha com Biden há um bom tempo e já havia manifestado apoio ao plano de encerrar a guerra no Afeganistão, telefonou para o presidente em Bruxelas, na Bélgica, após ouvir as preocupações dos ministros dos países da Otan em uma reunião realizada em março, segundo a publicação.

"Sua nova recomendação foi estender a missão das tropas americanas por um tempo para ver se seria possível chegar a um acordo político. Ganhar tempo para as negociações", afirma um dos trechos divulgados pela CNN.

Biden, que defendeu o fim da guerra quando era vice-presidente, não se deixou intimidar e explicou que tinha a sensação de que os generais tinham obrigado o ex-presidente democrata, Barack Obama, a permanecer no Afeganistão.

Por fim, o agora presidente indicou que retiraria as tropas restantes até 31 de agosto, e acrescentou que a imposição de condições apenas perpetuaria uma "guerra interminável", na qual os EUA já tinham atingido os seus objetivos.

Em um primeiro momento, a decisão de Biden foi bem recebida pela população americana. Contudo, a retirada passou a ser alvo de críticas depois que os talibãs, que foram depostos pela invasão americana há 20 anos, retomaram o poder em poucos dias, quando o governo e o exército afegãos apoiados por Washington se renderam.

Ao falar diante da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes na última segunda-feira (13), Blinken assegurou que os aliados da Otan apresentaram "diferentes perspectivas" em suas reuniões, mas que, por fim, apoiaram a retirada.

O governo anterior dos Estados Unidos, presidido pelo republicano Donald Trump, firmou um acordo com os talibãs em que estabeleceu a data de 1º de maio de 2021 para a retirada das tropas americanas.

Segundo Blinken, os aliados da Otan concordaram que a permanência no Afeganistão levaria "o Talibã a retomar os ataques contra as tropas americanas e dos aliados", o que, efetivamente, representaria uma "retomada do conflito". Ao invés disso, "todos concordaram com uma retirada conjunta", acrescentou.

Alguns aliados dos EUA, entre eles Alemanha e Reino Unido, manifestaram abertamente suas preocupações sobre as decisões envolvendo o Afeganistão, mas nenhum deles acreditava na possibilidade de permanecer no país asiático sem os militares dos EUA.

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