Assexuais como Victor Hugo, do 'BBB 20', contam como é viver sem ter desejo sexual. Veja depoimentos

Amanda Pinheiro e Luana Santiago
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Victor Hugo, do 'BBB 20', é assexual e demissexual

No “Big Brother Brasil 20”, Victor Hugo, o anjo desta semana, despertou a curiosidade de muita gente já no início do confinamento, ao se declarar assexual. Os aces, como também são chamados, são pessoas que não sentem atração sexual por outras, seja de maneira condicional, parcial ou total. Segundo o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, entres os brasileiros, cerca de 8% das mulheres e 2,5% dos homens não se interessam em ter relações sexuais.

No “BBB’’, inclusive, Victor Hugo se identifica como demissexual. Ou seja, ele pode ter relações sexuais, mas apenas com quem já tem um vínculo afetivo. Confira os depoimentos de pessoas que vivem sem ter desejo sexual.

Letícia Oliveira, de 21 anos, estudante: “Minha forma de amar é válida”

“Eu sempre soube que era diferente das minhas amigas. Aos 11 anos, elas falavam sobre garotos e eu só me interessava por arte. Sempre direcionei minha energia para a arte. E é importante ressaltar que a assexualidade não é um problema hormonal, assexuais têm libido. Todos diziam que eu precisava encontrar a pessoa certa (aces ouvem muito isso). Cheguei a ouvir de pessoas próximas que, quando alguém me ‘pegasse de jeito’, eu mudaria de ideia. Aos 19 anos, me entendi como assexual estrita e mapeei outros. Para mim foi libertador, me fez sentir menos esquisita e me deu um lugar. Quando você conhece outros assexuais, pensa: ‘minha vivência é válida assim como minha forma de amar’ e isso é muito libertador. Quando se é assexual e não se sabe, você se sente doente, inadequado, acha que as pessoas que se relacionarem com você serão heroínas, porque o sexo é a base de todos os relacionamentos. Meu namoro mais longo durou dois anos e não teve sexo, a pessoa era alossexual e me respeitava’’.

Andressa Neves, de 38 anos, funcionária pública: "O fato de eu ser trans me bloqueava"

 

‘‘Sou uma mulher transexual e sou assexual demissexual. Isso significa que posso, esporadicamente, ter relações íntimas com meu noivo (que também é assexual). Mas o sexo não é uma coisa primordial nem necessária. Minha família deve estar sabendo agora o que sou, pois compartilhei nas redes sociais que estou participando desta entrevista. Já tive três relacionamentos com alossexuais (pessoas que sentem atração sexual), mas eu não era feliz. O fato de eu ser trans me bloqueava por ter que assumir mais uma condição: a assexualidade. Era muito peso para mim. Felizmente, conheci meu noivo em um grupo no Facebook. Já não tinha esperança de encontrar alguém como eu, mas, felizmente, ele me encontrou e, a partir daquele momento, nossas vidas mudaram. Acredito que a assexualidade precisa deixar de ser invisível ou tabu. As pessoas precisam ter a informação da diversidade. Nós temos nossas necessidades, uma bandeira, um significado. Estamos no grande guarda-chuva LGBTQIA+. Muita gente precisa de representatividade e eu espero, do fundo do coração, que a encontrem’’.

Bruno Duarte, de 38 anos, jornalista e youtuber: "Após minha descoberta, eu me sinto livre"

 

‘‘Descobri a assexualidade aos 30 anos de idade e sou assexual demissexual. Antes, tive um relacionamento com uma alossexual e quase me casei. Mas nessas relações, eu me decepcionei, porque não conseguia me adequar e me sentia desconfortável. Uma vez, cheguei a fingir que estava dormindo porque não conseguia ter química com a menina. Além de ouvir questionamentos de outras pessoas que me perguntavam se eu era gay. Por um período, achei que era celibatário. Mas refleti: “o celibatário é aquele que fica em abstinência e sente falta’’. Não era o meu caso, eu não sentia falta. Após esses relacionamentos, optei pela vida religiosa na igreja Católica, mas um amigo me orientou a buscar as Igrejas Protestantes para viver minhas duas vocações: o sacerdócio e o matrimônio. Depois, encontrei um grupo no Facebook e conheci pessoas como eu. Foi onde conheci minha noiva, Andressa, também assexual. Hoje, sou reverendo da igreja Luterana, amo minha noiva e, após a minha descoberta, eu me sinto livre por não fazer o que esperam numa sociedade tão sexulizada’’.