Assim como em acidente de Pazuello, fratura na clavícula e nas costelas é comum em queda de moto. Entenda

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A queda de moto sofrida pelo ex-ministro da Saúde e general do Exército Eduardo Pazuello, na noite desta sexta-feira (24), resultou na fratura da clavícula direita e no arco costal. Tais lesões são comuns nesse tipo de acidente, onde o impacto pode variar de acordo com a velocidade em que o motociclista trafega e o modo como cai ao chão. A postura segurando no guidão para dirigir acaba por travar um dos reflexos mais naturais, usar mãos e braços para amortecer a queda. Com isso, a força do tombo para um dos lados não é freada e o impacto no tórax chega com mais intensidade.

De acordo com nota do Exército, Pazuello sofreu lesão do lado direito do corpo, com fratura na clavícula e em arco costal — as costelas. O médico e professor livre docente, chefe da disciplina de traumatologia.da Escola Paulista de Medicina da UNIFESP Fernando Baldy dos Reis explica os efeitos desse tipo de queda no corpo:

— Quando você cai e bate o tórax, o peito, as costelas protegem o pulmão e deixa expandir. Normalmente quando a pessoa cai, apoia a mão, o braço para não bater. Mas, às vezes de moto, você tem uma certa velocidade, e pode bater o peito no chão ou de lado bater o ombro. Isso pode quebrar a clavícula e os arcos costais, que são as costelas.

A pessoa bate meio de lado, quebra a clavícula, porque o braço bateu no chão com força e o trauma continua, ele é pesado e provavelmente a energia cinética do trauma atinge as costelas.O comunicado divulgado pelo Exército, sobre o socorro e o atendimento a Pazuello no Hospital Central da força armada após o acidente, não cita qual o tratamento foi feito para a lesão. Baldy, no entanto, conta que o comum em casos como esse é operar a clavícula e, assim, estabilizar as costelas afetadas, permitindo a melhora na respiração.

— Pelo o que li nas notícias, ele teve uma fratura na clavícula e de arcos costais, o que é comum ao cair de lado numa moto e bater no chão. Normalmente não tem uma contusão pulmonar tão grave, opera a clavícula, e quando fixa, mantém a expansibilidade pulmonar (movimento de encher os pulmões de ar na respiração), então dá para a pessoa respirar — explica o médico.

O tempo de recuperação varia, claro, de acordo com o quadro evolutivo do paciente, como resposta à cirurgia e não complicações por outras lesões, por exemplo. A média é que o paciente permaneça internado por três a quatro dias, para controle da dor e observação, após a operação da clavícula. Esse tempo de permanência pode chegar a dez dias se houver uma contusão ou lesão pulmonar, que, devido ao impacto, uma costela acaba por atingir o pulmão. Em casos assim, pode ser necessária a instalação de dreno para retirada de sangue ou ar do órgão.

— A grande notícia é que não bateu a cabeça ou o pescoço, poderia ter uma lesão cervical ou uma lesão cefálica. Sendo só isso, opera-se a clavícula, e normalmente fica internado por três ou quatro dias. A volta às atividades normais é em 45 a 60 dias, como malhar, fazer atividade laborativa. O período crítico é de 15 dias, se evoluir bem, a vida segue — salienta o ortopedista, destacando a diferença para um quadro com mais lesões: — (Em outros casos) Se precisar drenar o tórax, fica mais de uma semana a dez dias internado. Depois do dreno, que é normalmente para retirar sangue, tem que o tirar.

Com o paciente já de alta e em casa, a prescrição segue a mesma, variando o tempo de início de cada uma das fases de acordo com o quadro de recuperação. O uso da tipóia é regular para imobilizar o braço e evitar movimentos. Após o fim das dores, inicia-se as sessões de fisioterapia.— Se está sem dor, indo bem, começa mais cedo, se não, aguarda mais um pouquinho. A gente sempre começa com a fisioterapia pulmonar, para que possa respirar e não ter nenhum problema pulmonar.

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