Assim como no Museu Nacional, incêndio na reitoria da UFRJ teria sido causado por curto no ar-condicionado

Pedro Zuazo
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Um incêndio atingiu o segundo andar do prédio da reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão, na manhã de segunda-feira. A UFRJ abriu uma sindicância para apurar as causas do incidente, que teria começado na sala da Procuradoria Federal da universidade. As primeiras informações apontam para um curto-circuito no ar-condicionado.

As chamas, inciadas pela manhã, foram controladas em cerca de duas horas por equipes de oito unidades do Corpo de Bombeiros. Três andares do prédio ficarão interditados e os escritórios da reitoria foram transferidos para outros imóveis da UFRJ. Ninguém ficou ferido.

O episódio é mais um entre vários casos de destruição em prédios da universidade, que afirma ter um projeto de prevenção a incêndio parado por falta de recursos. No maior e mais recente, o Museu Nacional e grande parte de seu importante acervo foram queimados em 2018. O fogo começouo justamente no ar-condicionado. Há dez anos, outro incêndio destruiu a Capela São Pedro de Alcântara, de 1850, na Urca, que é tombada pelo patrimônio histórico. Em 2017, o fogo deixou quatro feridos num alojamento universitário, e, em 2016, o mesmo prédio da reitoria da UFRJ que pegou fogo ontem foi cenário de outro incêndio de grandes proporções no oitavo andar.

Em nota, a UFRJ afirmou que um “projeto básico para prevenção e combate a incêndios, elaborado pelo Escritório Técnico da Universidade (ETU), aguarda orçamento do governo federal para aplicação”.

Doutor em gerenciamento de riscos e segurança pela Coppe/UFRJ, o engenheiro Gerardo Portela lembra que a segurança deveria ser prioridade:

— A segurança é deixada em segundo plano, enquanto deveria estar no topo das prioridades de uma instituição de ensino de onde saem tantos mestres e doutores. É lamentável que nossas instituições estejam nessas condições. A escassez de recursos acaba, muitas vezes, empurrando os gestores para a priorização de outros setores.

Para ele, o fato de a instituição estar passando por dificuldades financeiras não deveria ser justificativa para deixar chegar a esse ponto.

— Os gestores acabam se acostumando a viver com vulnerabilidades que não deveriam ser toleradas, mas por falta de recursos acabam se tornando toleráveis — observou.

Segundo Associação de Docentes da UFRJ (Adufrj), o fogo foi iniciado na Procuradoria da universidade, próximo ao Núcleo de Pesquisa e Documentação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). A associação informou que o acervo de pesquisa, com muitos arquivos históricos, estava sendo resgatado.

— Um desastre. Um fogo no ar-condicionado vai comprometer muita coisa — lamentou o vice-reitor da UFRJ, professor Carlos Frederico Leão Rocha, que estava no local.

O professor e astrônomo do Observatório do Valongo, da UFRJ, Thiago Gonçalves, afirmou que ali havia documentos históricos, do século 19. Gonçalves observou ainda que houve um corte de R$ 70 milhões no orçamento da universidade para o ano letivo de 2021.

“Tivemos um incêndio na @ufrj hoje de manhã. Essa é a infraestrutura que temos para secar documentos do século XIX que estavam no prédio. Lembrando que o orçamento da universidade sofreu corte estimado de mais de R$ 70 milhões de reais para 2021”, escreveu Gonçalves em uma rede social.