Assim como Thelma, de 'Amor de mãe', conheça mulheres que emprestaram suas barrigas para gerar um bebê

Marcelle Carvalho
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Nivalda, Arthur e Gleice: felicidade estampada nos rostos

Não há limites para o amor entre mães e filhos. Na trama das nove, isso fica bem claro na decisão de Thelma (Adriana Esteves), que se ofereceu como barriga solidária para que Danilo (Chay Suede) e Camilla (Jéssica Ellen) pudessem ter um filho biológico, após a nora sofrer um aborto e não poder mais engravidar.

Mas a trama de “Amor de mãe” não é só coisa de novela. Personagens da vida real que passaram por essa experiência e vibram por ver o tema abordado na TV compartilham aqui suas histórias.

— Passou um filme na cabeça quando vi que a novela falaria de barriga solidária. É importante que isso seja tratado para que mais pessoas saibam dessa possibilidade — diz Nivalda Candioto, avó que, como Thelma, gerou o neto.

Jéssica Siebra, que emprestou o útero para gerar o irmão, espera que a trama possa diminuir o desconhecimento que ainda é grande.

— Ouvi que eu estava cometendo incesto, que seria mãe de um filho com meu padrasto. Muita loucura! A barriga solidária é um ato de amor.

VEJAM AS HISTÓRIAS

Luís Henrique, Ana Maria e Gutto: A história de três que se tornaram cinco

 

Quando o “relógio biológico’’ do casal Luís Henrique Aranha, de 35 anos, e Gutto Salles, de 29, soou para a paternidade, como eles mesmos brincam, os dois recorreram à adoção. Sem sucesso. Foi aí que Ana Maria Aranha, mãe de Luís, na época com 57 anos, se ofereceu para gerar o neto, o que assustou o filho.

— Foi uma surpresa. Mas ela disse que faria de bom grado. Fiquei muito emocionado com tanto amor — conta Luís, que levou a mãe para morar com eles durante a gestação.

 

O amor pelo filho fez Ana Maria, que tinha entrado na menopausa há 15 anos, implantar dois embriões: uma dupla de óvulos de uma doadora anônima foi fecundada com o material de cada um dos rapazes.

— O resultado foram os gêmeos mais lindos do mundo: Pedro e João, de 3 anos. Um saiu mais branquinho, como Gutto. O outro, mais moreno, como meu filho — diz, animada, a avó das crianças, de 61: — Ter gerado meus netos me fez um bem danado. E é um amor maior. Nem pensei que a gravidez seria de risco por conta da idade. Quando os vi nos braços com os meninos, foi a maior felicidade da vida.

O nascimento das crianças ainda fez com que Luís resolvesse uma outra questão.

— Senti necessidade de procurar meu pai para que ele me registrasse e, assim, seu nome aparecesse na certidão dos meus filhos. Hoje, somos cordiais, levo as crianças para ele ver e os meninos o adoram.

Jéssica e Andreia: Filha emprestou barriga para a mãe

 

A história de Andreia Carrasco, de 44 anos, e da filha Jéssica, de 22, chama atenção pelo inusitado: foi a jovem quem emprestou a barriga para gerar o irmão. Tudo porque a mãe foi diagnosticada com menopausa precoce, aos 33 anos.

— Fiquei arrasada porque queria ter outro filho, sonhava com uma família grande. Quando conheci Rogério, ele também queria ser pai, mas se conformou com minha impossibilidade. Então, decidi fazer tratamento. Tomei medicação, voltei a menstruar, mas tive problemas no endométrio. Na última consulta, o médico disse que havia duas possibilidades: transplante de útero ou barriga solidária. Então Jéssica, que sempre me acompanhava, disse que geraria o irmão — relembra a recepcionista Andreia.

 

As duas, que moram em Mauá, no ABC Paulista, conversaram por um mês, mas Jéssica já estava decidida.

— Eu não aguentava mais ver o sofrimento de minha mãe. E sempre pedi a ela um irmão. Não tive dúvidas. Gerar meu irmão foi o momento mais gratificante que vivi na vida — conta ela, que teve Rafael em julho de 2019, por fertilização in vitro, com óvulo de uma doadora anônima.

A gravidez, entretanto, não foi um mar de rosas. A recepcionista recorda que a filha teve alergia ao hormônio da gestação, o que fez com que suas espinhas explodissem:

— A pele da Jéssica parecia um cactus. Além disso, ela teve perda de líquido com 34 semanas. Nunca mais dormi direito na vida desde esse dia.

Apesar dos percalços, a estudante de enfermagem levou a gestação até a 38ª semana. Mas não pode amamentar o irmão.

— O Conselho Federal de Medicina não recomenda a amamentação por conta do vínculo forte. Então Rafa não tomou leite materno desde que nasceu — destaca Jéssica, que faria tudo de novo: — Ver o brilho nos olhos da minha mãe não tem preço. E meu irmão é a luz nas nossas vidas. Foi a melhor decisão que tomei, sem dúvida.

Nivalda e Gleice: Avó gerou o neto porque filha não tinha útero

 

Nivalda Candioto, de 61 anos, de Criciúma, em Santa Catarina, teve a maior experiência de sua vida aos 56: ela gerou o próprio neto. A decisão se deu quando sua filha, Gleice, na época com 16 anos, descobriu que não tinha útero.

— O médico informou que ela teria que adotar ou ter por barriga solidária. Na mesma hora, eu disse: “Filha, a mãe vai fazer isso por você”. Foi o momento mais mágico da minha vida, cumpri a minha missão — afirma Nivalda, que deu à luz Arthur, há 5 anos, por meio da fertilização in vitro.

Gleice, de 36 anos, fica com a voz embargada ao lembrar o momento em que pegou o filho no colo.

— Eu estava na sala de parto quando ele nasceu. Minha mãe me disse: “Filha, pega o teu menino”. Foi uma emoção inexplicável, um sonho que estava guardado e se tornou real — conta a moça que, antes de ter Arthur, adotou Júlia, há 9 anos, seguindo os passos da própria mãe, cuja primogênita, Dayane, de 36, é filha do coração.

Apesar de ter gerado o neto, Nivalda garante que não se mete na criação do menino:

—Sou a avó, isso sempre foi claro para mim. E é assim que tem que ser. Arthur ainda é pequeno, mas já sabe da historinha dele. A barriga solidária é um gesto bonito, forte, de um amor gigante.

A jovem afirma que a ligação entre ela e a mãe ficou ainda maior:

— Sempre fomos bem unidas, mas Arthur nos ligou ainda mais. Não tem como retribuir o que ela fez por mim. Meu filho é fruto do nosso amor e do desprendimento da minha mãe.