'Assistência social não atua junto com a polícia', diz secretário Carlos Bezerra Jr.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "A assistência social não atua junto com a polícia." A declaração foi dada nesta sexta-feira (13) por Carlos Bezerra Júnior, secretário municipal de assistência e desenvolvimento social de São Paulo. Ele respondia sobre a possibilidade de a polícia e a prefeitura levarem dependentes químicos para a delegacia antes de encaminhá-los para tratamento.

"Se for traficante, o lugar é a delegacia, se for dependente químico, o lugar é o Siat (Serviço Integrado de Acolhida Terapêutica), por exemplo. Isso está muito claro. O trabalho da secretaria, as abordagens feitas pela secretaria de assistência social permanecem como sempre foram", afirmou o secretário à reportagem.

Segundo policiais e integrantes da prefeitura ouvidos pelo jornal Folha de S.Paulo nesta quinta (12), a Polícia Civil e a gestão municipal planejam mudar a estratégia de combate ao tráfico de drogas no centro da cidade. Os agentes passariam a abordar dependentes químicos que estiverem consumindo crack na rua e levá-los para a delegacia, de onde seriam encaminhados para tratamento.

De acordo com os servidores ouvidos pela reportagem, a nova abordagem tem apoio do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e só não foi posta em prática ainda porque as pessoas envolvidas no projeto consideram que um trabalho de conscientização da população deve ser realizado antes.

O secretário disse que o objetivo da pasta que comanda na assistência às pessoas em situação de rua é criar vínculos. Segundo ele, a secretaria trabalha para reaproximar aqueles que aceitam ser acolhidos de suas famílias. "O mais importante de tudo [no acolhimento] é fazer com que aquela pessoa se sinta protegida e que tenha seus direitos garantidos. Dependência química é questão de saúde pública", afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de a ação policial atrapalhar os trabalhos de acolhimento da secretaria, Bezerra disse que não há nenhuma alteração no trabalho da pasta nesse sentido e que, apesar de a cracolândia ser um caso complexo que envolve traficantes, dependentes químicos e pessoas em situação de rua, a distinção entre os três grupos deve ser feita.

Para o secretário, a prefeitura não tem qualquer interesse em misturar esses públicos.

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