Associação de investidores repudia prisões no Pará e critica 'criminalização' da sociedade civil

O Grupo de Institutos Fundações e Empresas (Gife) divulgou nota de repúdio à ação da Polícia Civil em Alter do Chão (PA) que prendeu quatro ambientalistas, na semana passada, e fez duras críticas à "erosão crescente do nosso ambiente democrático".

Segundo o documento, divulgado na quinta-feira, o ano de 2019 tem sido marcado pela profunda hostilidade oficial à atuação do terceiro setor e da sociedade civil no Brasil. O texto menciona a "ação voluntarista e nebulosa da Polícia Civil do Pará" como "um passo a mais nesse processo, trazendo a novo e grave patamar o ambiente de ameaças à ação cívica no país".

Um trecho da nota diz: "Desde o chamado ainda na campanha eleitoral para literalmente 'botar um ponto final em todos os ativismos no país', a atitude predominante do governo federal em relação às organizações de promoção da cidadania e da participação social na vida pública tem sido a de fomentar a desconfiança e desqualificação, quando não a sugestão recorrente de criminalização da atuação dos mais diversos atores na sociedade".

“Da calúnia, algo fica”, diz um ditado espanhol. Parece ser essa, se não aspirações autocráticas mais profundas, a lógica das ações oficiais de difamação e intimidação expostas aqui. Nos solidarizamos plenamente com o Projeto Saúde e Alegria e todos os demais agentes de cidadania vitimados por essa postura hoje no país, e convidamos todos a somar-se no empenho necessário para que possamos como sociedade defender nosso acúmulo democrático e construir de forma inclusiva e efetiva a partir dele, no rumo do país mais justo, dinâmico, sustentável e exitoso que precisamos e podemos ser", diz o trecho final da nota pública.

O Gife é formado por 151 associados que, somados, investem por volta de R$ 2,9 bilhões por ano na área social, operando projetos próprios ou viabilizando os de terceiros. Fundação Roberto Marinho, Fundação Bradesco, Instituto Itaú Cultural e Instituto Grupo Boticário estão entre os associados. Mais da metade é de institutos e fundações empresariais (51%), cerca de um quinto é de institutos e fundações familiares (20%), seguidos de institutos e fundações independentes ou comunitárias (15%) e empresas (14%).

O texto, na íntegra, está no site www.gife.org.br.