Associação de Jornalismo repudia ataques à imprensa em ato a favor do governo Bolsonaro no Rio

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A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou neste domingo uma nota em que repudia e classifica como "violação à liberdade de imprensa" a intimidação de repórteres por políticos e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro registrada neste domingo durante o ato de apoio ao governo ocorrido no Rio. Durante a manifestação, o repórter da CNN Pedro Duran foi agredido verbalmente por apoiadores de Bolsonaro e impedido de realizar a cobertura do protesto. Duran precisou ser escoltado por policiais militares até um carro da emissora, sob gritos de “CNN lixo”.

"A intimidação de repórteres por políticos e militantes ligados a Jair Bolsonaro tem como objetivo impedir a cobertura de fatos de interesse público e, portanto, é uma violação à liberdade de imprensa. Tal comportamento é incentivado pelo presidente da República, que frequentemente propaga teorias conspiratórias, ofensas e discursos estigmatizantes contra jornalistas. A obstrução do trabalho da imprensa é antidemocrática e se espera dos poderes Legislativo e Judiciário uma posição firme em defesa dos direitos humanos e da civilidade na convivência entre cidadãos de diferentes opiniões", afirma a entidade no texto.

O episódio ocorreu quando jornalistas tentavam entrevistar o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, quando apoiadores do presidente passaram a gritar “mito” e a cercar os repórteres. Bolsonaristas chegaram a filmar Duran e divulgaram o vídeo em suas redes sociais, apontando o nome do jornalista, que passou a ser vítima de assédio virtual. Um dos divulgadores do vídeo foi o vereador de Niterói Douglas Gomes (PTC-RJ).

Em nota, a CNN Brasil também repudiou a agressão. "Acreditamos na liberdade de imprensa como um dos pilares da democracia. Os jornalistas têm direito constitucional de exercer sua profissão de forma segura, para noticiarem fatos, dentro dos princípios do apartidarismo e da independência", afrmou a emissora em suas redes sociais.

Outros profissionais da CNN também foram impedidos de fazer a cobertura do ato. No início de maio, Bolsonaro já havia atacado o jornalista da emissora Fernando Molica nas redes sociais, em resposta a críticas do analista à ação da Polícia Civil do Rio em uma chacina no Morro do Jacarezinho.

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