Associação muçulmana francesa apresenta queixa contra Facebook e Youtube por vídeo de massacre na Nova Zelândia

Flores e objetos em homenagem às vítimas de Christchurch

O Conselho francês do culto muçulmano (CFCM) anunciou, nesta segunda-feira, que apresentou uma queixa contra o Facebook e o YouTube França em razão da difusão nessas plataformas do vídeo do massacre de 50 fiéis por um extremista australiano em Christchurch, na Nova Zelândia.

O CFCM, associação independente que representa os muçulmanos na França, denuncia a "disseminação de mensagens de caráter violento incitando o terrorismo e que podem atingir seriamente a dignidade humana passível de serem vistas por um menor", de acordo com a queixa enviada ao procurador da República de Paris.

Tal crime é punível com três anos de prisão e uma multa de 75.000 euros.

O CFCM argumenta que "atos de terrorismo foram mantidos" no Facebook "29 minutos após o início" de sua transmissão, "antes dos moderadores do Facebook removê-lo".

Minutos durante os quais menores tiveram acesso às imagens, incluindo menores de fé muçulmana, profundamente traumatizados por este vídeo".

A associação acrescenta que "a falta de velocidade do Facebook para apagar o vídeo resultou em sua publicação no YouTube logo após a transmissão ao vivo" e, assim, o vídeo "foi transmitido no território nacional por meio dessas duas plataformas".

"Essas redes sociais devem assumir suas responsabilidades criminais por causa da gravidade do crime e das consequências psicológicas para os mais jovens", de acordo com o CFCM.

Segundo o Facebook, o vídeo do massacre, de 17 minutos, foi visto ao vivo apenas 200 vezes, mas o grupo teve que remover 1,5 milhão de vídeos compartilhados.

Em Christchurch, duas pessoas foram indiciadas por compartilhar o vídeo.

As vítimas dos ataques eram todas muçulmanas. O assassino, Brenton Tarrant, é um supremacista branco convencido de que os muçulmanos estão "invadindo" os países ocidentais.