Associação de pecuaristas dos EUA é 'desinformada' ou protecionista, afirma representante de produtores de carne bovina do Brasil

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BRASÍLIA — A Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) reagiu às pressões da Associação de Produtores de Carne dos Estados Unidos (NCBA) , que pediu ao governo americano a suspensão das importações de carne bovina in natura brasileira. De acordo com a CNA, a entidade que representa os pecuaristas americanos defende uma medida protecionista contra o Brasil, sem qualquer justificativa sanitária.

“Entendemos que, ou a NCBA está desinformada ou adota a postura protecionista com viés econômico e sem nenhum caráter sanitário”, diz um trecho de uma nota divulgada nesta sexta-feira pela CNA. O texto condena qualquer medida arbitrária "que vá contra os pilares do comércio internacional” e “repudia a conduta adotada pela entidade americana”.

O registro de dois casos atípicos de de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), doença mais conhecida como vaca louca, nos estados de Minas Gerais e Mato Grosso, levou os pecuaristas dos EUA a pressionarem as autoridades do país contra o produto do Brasil. O episódio, ocorrido no início de setembro, fez com que a China suspendesse as compras de carne bovina brasileira. Pequim negocia com Brasília a volta das aquisições.

Nesta semana, a NCBA enviou uma carta ao Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) pedindo a paralisação das compras de carne bovina in natura brasileira. O embargo duraria até a conclusão de uma avaliação de risco e da forma como o Ministério da Agricultura do Brasil se comporta ao detectar doenças e outras ameaças aos consumidores.

Na nota, a CNA destaca que nunca houve no Brasil um único caso típico — com transmissão de um animal para outro — ao contrário dos EUA, que tiveram três nos anos de 2003, 2005 e 2012. A entidade também afirma que a legislação brasileira proíbe o uso de qualquer proteína animal para alimentação bovina — única causa de contaminação da doença pelos animais.

Procurado pelo GLOBO, o Ministério da Agricultura não se manifestou sobre a carta dos pecuaristas americanos. Porém, na época em que os casos surgiram, o órgão informou ter notificado a OIE imediatamente. Dois dias depois, o organismo internacional manteve o status do Brasil de país com "risco insignificante" e confirmou a origem “atípica", ou seja, em que a causa é uma mutação em um único animal, e não por meio de da contaminação entre dois ou mais bovinos.

“O Brasil tem um forte sistema de defesa sanitária, graças ao trabalho do governo brasileiro, em conjunto com os produtores rurais. O trabalho é reconhecido pela própria OIE, que nos últimos anos concedeu ao Brasil o status de zona livre de doenças como a febre aftosa e de risco insignificante para a vaca louca”, diz um trecho da nota.

A entidade lembra que o Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e vende o produto in natura para mais de 100 países.

“Esse número reforça a afirmativa de que cumprimos todas as exigências sanitárias firmadas pelos países que importam nosso produto”, diz o comunicado em resposta aos produtores americanos.

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