Associações e especialistas pedem a conselho do Facebook que mantenha expulsão de Trump

Julie JAMMOT avec Juliette MICHEL à New York
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O conselho supervisor independente do Facebook recebeu mais de 9 mil mensagens do público exigindo que não permitisse que o ex-presidente Donald Trump retornasse à rede social

O conselho supervisor do Facebook decidirá em breve se o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que enfrenta um julgamento de impeachment no Senado, pode ou não retornar à rede social.

Numerosas associações e especialistas pediram à organização que o banisse de forma permanente. O Facebook Oversight Board, conselho supervisor independente da plataforma, recebeu mais de 9 mil cartas e comentários nesse sentido.

Seus membros podem aprovar o bloqueio indefinido da conta ou forçar o Facebook a permitir o retorno do ex-chefe de Estado, expulso da rede após os distúrbios de 6 de janeiro no Capitólio.

"Nossa mensagem é simples: cancelar a proibição de Trump seria um convite à violência, ódio e desinformação que custará vidas e minará a democracia", escreveu uma associação anti-Facebook. “Alguns podem dizer que é uma questão de liberdade de expressão. Eles estão errados”, continua o texto.

"Donald Trump pode dar entrevistas. Ele pode ir à Fox News. Pode escrever artigos de opinião ou enviar e-mails", argumentou.

"Ninguém tem o direito de usar uma plataforma de mídia social para espalhar desinformação e incitar o ódio repetidamente ou ter sua mensagem amplificada por algoritmos."

Trump é indiciado no Senado por "incitar à insurreição" no ataque à sede do Congresso dos EUA, que deixou cinco mortos.

"Remover um líder político das plataformas deveria ser o último recurso, dados os benefícios (democráticos) de um debate político sólido e a proteção da retórica eleitoral. Mas as ações de Trump justificam bani-lo indefinidamente", escreveu um grupo de professores de Direito e Filosofia do diferentes universidades da Califórnia.

"Se as plataformas tivessem mantido o acesso contínuo de Trump a grandes públicos, isso teria gerado mais violência e minado ainda mais a transição" do governo, acrescentam os signatários, incluindo Alex Stamos, da prestigiosa Universidade de Stanford e ex-chefe de segurança do Facebook.

O Twitter, que também decidiu remover Trump de sua plataforma por repetidas incitações à violência, não permitirá que ele retorne, mesmo que ele concorra novamente à Casa Branca.

"De acordo com nossas regras, quando se é expulso da plataforma, se é expulso da plataforma, seja um comentarista, um diretor financeiro ou um líder político", explicou o diretor financeiro do Twitter, Ned Segal, na CNBC, na quarta-feira.

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