Associações empresariais cobram fim dos bloqueios nas rodovias do país

Associações que representam diferentes setores da economia cobram o desbloqueio de estradas promovidos por bolsonaristas contrários ao resultado das eleições presidenciais. São setores como varejo de alimentos, através de supermercados, empresas aéreas e produtos químicos.

Bloqueios: Alexandre de Moraes libera PMs para desbloquear estradas

Efeito: Perdeu o voo ou a viagem de ônibus? Saiba quais são seus direitos

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) alertou que se o cenário se mantiver até esta quarta, uma estimativa feita pelas empresas aéreas mostra que, ao longo do feriado, o setor poderá sofrer com problemas de combustível.

O transporte aéreo também pode ser impactado pela dificuldade de chegada de profissionais, tripulantes e passageiros aos aeroportos. Ontem à noite, pelo menos 500 passageiros não conseguiram chegar ao aeroporto internacional de Cumbica, em Guarulhos, segundo a Abear, provocando cancelamento de voos.

- A não chegada do querosene de aviação pode impactar a chegada de cargas como remédios e o transporte de órgãos para transplante. Cerca de 500 passageiros foram prejudicados e não conseguiram chegar ao aeroporto de Guarulhos ontem à noite - disse Eduardo Sanovicz, presidente da Abear.

Eleições: Agronegócio e CNT repudiam bloqueios e pedem liberação de rodovias

Aos passageiros, a Abear recomenda que busquem se deslocar com antecedência e se informem sobre a situação das vias de acesso aos aeroportos.

O presidente da Associação Brasileira de Supermercados(Abras), João Galassi, informou através de nota que já pediu apoio ao presidente Jair Bolsonaro sobre as dificuldades de abastecimento que os supermercadistas começam enfrentar em função dos bloqueios. A Abras deve divulgar mais detalhes desses problemas à tarde, durante entrevista coletiva.

A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) informou que existe preocupação com chegada de matérias-primas em diversos setores da produção química como gases medicinais, insumos industriais, fertilizantes.

Prejudica a economia: líderes da greve de 2018 condenam paralisações feitas por caminhoneiros em doze estados do país

No setor de saúde, as manifestações estão colocando em risco o transporte de oxigênio líquido medicinal, destinado a clínicas e hospitais, e usado em pacientes internados em UTI’s ou CTI’s em estado crítico.

"É necessária a urgente liberação da circulação sem bloqueios no país para que tanto o oxigênio quanto os demais produtos essenciais à vida do brasileiro sigam chegando ao seu destino", pediu a Abiquim em nota.

Ceagesp ficará aberta 24 horas

A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) informa que, entre a zero hora e as 10 horas da manhã desta terça-feira caiu em 17% a quantidade de veículos que entraram no entreposto de São Paulo, na Vila Leopoldina, por conta dos bloqueios nas rodovias. Foram 4.439 veículos chegando neste período frente aos 5.223 na comparação com a semana anterior. Apesar da menor movimentação, a Ceagesp descarta desabastecimento.

Eleições: ‘Governo Lula vai encontrar situação fiscal desastrosa’, diz Scheinkman

- Conversamos com alguns produtores e permissionários e o mercado está abastecido de frutas, legumes e verduras. Não há falta de mercadorias - explicou o chefe da seção de economia da Ceagesp, Thiago de Oliveira.

Um impacto negativo foi sentido no setor de flores e plantas, já que havia expectativa com a Feira de Flores, que antecede o feriado de Finados, na noite desta segunda e madrugada de terça. Muitos caminhões não conseguiram chegar com os produtos por conta dos bloqueios. A Ceagesp vai ficar aberta 24 horas, nos próximos dias, para a entrada de caminhões. Normalmente, o horário limite é 18 horas.