Assoreamento na Lagoa da Tijuca impede navegação de barco, em vistoria técnica sobre despoluição do complexo lagunar

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Desde 1992, o biólogo Mario Moscatelli frequenta as lagoas da Baixada de Jacarepaguá, em seu trabalho de fiscalização, replantios e denúncias de poluição. Nesta quinta, pela primeira vez dentro dessa trajetória, ele diz que não conseguiu navegar na Lagoa da Tijuca, devido ao alto nível de assoreamento no espelho d'água, o que impediu a circulação do barco. A ida à lagoa era uma visita técnica, com a presença do secretário estadual de Meio Ambiente Thiago Pampolha, de técnicos da secretaria e da concessionária Iguá, que assumiu o saneamento básico da região com a concessão da Cedae.

Apesar dos baixos níveis de chuva no Sul do país, como vem sendo noticiado, o biólogo destacou que, nesta semana, a maior ocorrência de chuva na Região Metropolitana foi justamente na Baixada de Jacarepaguá. Por isso, a estiagem não seria, na sua visão, o maior motivo para o cenário encontrado na lagoa, e sim as condições de poluição e degradação do sistema lagunar.

— Nunca havia acontecido isso comigo. A partir de hoje, vou ficar de olho na possível recorrência dessa situação. Tudo isso indica o agravamento do processo de extinção do sistema lagunar. O quadro é de fim de linha — afirmou Mario Moscatelli. — Nós só conseguimos fazer cerca de 20% do trajeto previsto. Usei o mesmo tipo de embarcação de sempre, mas o barco não conseguia navegar, era como empurrar lama.

O biólogo diz que, antes de iniciar a visita técnica, observou o nível de maré indicado pelo Departamento de Hidrografia e Navegação da Marinha, através do site tábua das marés. O número era de 0.3 na manhã desta quinta, índice considerado por ele normal e que possibilitaria a navegação prevista.

— Mas na prática a maré era de menos 0.1. Pode até ter alguma influência climática, mas houve chuva recente na região.

No mês passado, a Iguá Rio de Janeiro S.A assinou, com o governo estadual, o contrato de concessão da Cedae. A empresa ficará responsável pelo saneamento da região da Área de Planejamento 4 (Barra, Recreio, Vargens e Jacarepaguá), além de Miguel Pereira e Paty do Alferes. Dentro das suas obrigações, há a previsão de investimentos para o desassoreamento das lagoas da Baixada de Jacarepaguá. A visita técnica desta quinta, portanto, fazia parte do planejamento de diagnóstico do local.

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