Asteroide recém descoberto é o segundo objeto mais próximo do Sol

Daniele Cavalcante

Astrônomos encontraram um asteroide bastante peculiar: ele é o segundo objeto espacial conhecido mais próximo do Sol, perdendo apenas para o planeta Mercúrio. Seu trajeto ao redor da nossa estrela está inteiramente dentro da órbita de Vênus, e ele completa uma volta ao redor do astro em apenas 151 dias. Esse é o menor período orbital de qualquer asteroide do qual temos conhecimento.

As informações vieram do The Virtual Telescope Project, um observatório online com sede na Itália que contribuiu com a descoberta do asteroide 2020 AV2. A órbita única do objeto lhe confere um título especial: é "intervenusiano", ou seja, não se desvia da órbita de Vênus, de acordo com Gianluca Masi, fundador e diretor do Virtual Telescope.

De acordo com a equipe de Masi, “entre centenas de milhares de asteroides conhecidos, apenas 21 são suspeitos de terem uma órbita inteiramente dentro da [órbita da] Terra. O recém-descoberto 2020 AV2 é o primeiro a se mover inteiramente dentro da órbita de Vênus, sendo um objeto muito especial”.

O 2020 AV2 foi avistado pela primeira vez pelo telescópio Samuel Oschin Schmidt, no localizado na Califórnia, no dia 4 de janeiro, e foi inicialmente chamado de ZTF09k5. Sua órbita única levou os cientistas a classificá-lo como “Vatira”, uma combinação de Vênus e Atira - nome que se dá a um objeto cuja órbita se encontra totalmente contida na órbita terrestre.

No entanto, este Vatira é um mistério para os astrônomos. Por exemplo, ele é tão pequeno que é difícil calcular sua medida exata (com base em sua magnitude absoluta, ele pode ter cerca de 1,9 km de largura). Além disso, os cientistas descobriram que ele nunca fica a menos de 12 milhões de km de distância de Mercúrio e 10 milhões de km de Vênus. Em outras palavras, ele está sempre em uma determinada faixa entre estes dois planetas.

"Assim que fiquei sabendo deste objeto, eu quis observá-lo […] e contribuir com a descoberta", declarou Masi. "Infelizmente, eu tive que enfrentar nuvens por vários dias, tornando impossível observar um objeto tão baixo [no horizonte] ao anoitecer", acrescentou o astrofísico.

No entanto, na noite de 8 de janeiro, as condições meteorológicas melhoraram e Masi teve um intervalo de tempo de aproximadamente 30 minutos para obter imagens do asteroide. Ele conseguiu observar o objeto com a ajuda de um telescópio robotizado chamado “Elena”, que faz parte do The Virtual Telescope Project. Ele pode ser usado na Internet por cientistas de todo o mundo.

Imagem capturada remotamente pelo telescópio robótico "Elena", disponível no Virtual Telescope Project. O 2020 AV2 é indicado pela seta (Foto: The Virtual Telescope Project)

Masi conta que capturar essas imagens foi difícil "porque o objeto estava bem baixo (25 graus ou menos), acima do horizonte ocidental, ao entardecer". Além disso, o céu estava iluminado por causa da Lua quase cheia, o que costuma atrapalhar a observação de objetos mais distantes. Apesar de tudo, o Dr. Masi conseguiu coletar 14 exposições diferentes de 60 segundos do asteroide.

Masi então combinou cuidadosamente as imagens, considerando o movimento aparente do céu noturno, e enviou o material ao Minor Planet Center, que rapidamente anunciou a descoberta, reconhecendo as observações do Dr. Masi e nomeando o asteroide como 2020 AV2. “Agora, tenho o prazer de compartilhar a imagem desse objeto raro com vocês”, disse.

Encontrar este Vatira intervenusiano pode ser o começo de muitas outras descobertas. Por exemplo, há trabalhos em andamento para encontrar algo igualmente inédito: vulcanoides, ou seja, asteroides mais próximos do Sol que Mercúrio.


Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: