AstraZeneca defende sua vacina anticovid enquanto UE disputa doses com Reino Unido

Redações da AFP no mundo
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O laboratório AstraZeneca defendeu nesta segunda-feira (22) sua vacina anticovid, rejeitada por alguns países da Europa, afirmando que tem uma eficácia de 100% para prevenir as formas graves da doença e não aumenta o risco de coágulos sanguíneos, após testes clínicos realizados nos Estados Unidos.

Esta vacina é mais barata e fácil de armazenar do que muitas de suas concorrentes, mas seu uso foi questionado quando vários países europeus e de outras partes do mundo suspenderam sua distribuição na semana passada por casos isolados de coágulos sanguíneos.

Também está no centro de uma disputa entre Londres e a União Europeia (UE), após o bloco ameaçar proibir as exportações para o Reino Unido, a menos que a empresa entregue mais de 90 milhões de doses que concordou em fornecer no primeiro trimestre de 2021.

O primeiro-ministro irlandês, Micheal Martin, disse que tal movimento seria "muito retrógrado", enquanto o líder britânico instou a União Europeia a não cumprir sua ameaça.

"Estamos todos enfrentando a mesma pandemia, todos temos os mesmos problemas", disse o primeiro-ministro britânico Boris Johnson na segunda-feira, pedindo "colaboração internacional".

A disputa gira em torno de uma fábrica na Holanda que ainda aguarda a aprovação oficial da UE, mas que ambas as partes afirmam ser uma futura fornecedora de vacinas AstraZeneca.

- Sair da pandemia -

As campanhas de vacinação são vistas como fundamentais na luta para acabar com uma pandemia que deixa mais de 2,7 milhões de mortos desde que surgiu na China no final de 2019.

Também são o caminho mais provável para acabar com os confinamentos e as restrições que continuam paralisando as economias dos países.

Mais de 430 milhões de doses foram distribuídas em todo o mundo, principalmente nos países mais ricos, enquanto muitos países pobres ainda não receberam uma única vacina.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, denunciou na segunda-feira a "grotesca" lacuna vacinal, a chamando de "escândalo moral".

E embora a demanda por vacinas continue alta, a confiança do público na fórmula desenvolvida pela anglo-sueca AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford sofreu um golpe na Europa.

A maioria dos entrevistados nos principais países europeus - incluindo Alemanha, França, Espanha e Itália - desconfiam da segurança da vacina da AstraZeneca, segundo uma pesquisa do YouGov realizada entre 12 e 18 de março.

Na segunda-feira, a Islândia disse que ainda não retomaria as vacinas da AstraZeneca após suspendê-las no início deste mês.

Mas a agência reguladora europeia e a OMS insistem que a injeção do AstraZeneca é segura e que não há evidências de riscos de formação de coágulos. A França e a Alemanha retomaram a vacinação.

Por sua parte, o laboratório ofereceu novas garantias nesta segunda-feira, destacando que os ensaios em mais de 32.000 pessoas nos Estados Unidos mostraram que a vacina é 79% eficaz para prevenir a covid-19 sintomática na população, e em 100%, para evitar as formas graves da doença e a hospitalização, além de não aumentar os riscos de coágulos sanguíneos.

É 80% eficaz para os maiores de 65 anos, segundo o laboratório.

- Putin esta de volta -

Uma vacina fabricada na Rússia, a Sputnik V, também enfrentou ceticismo no Ocidente, porque foi registrada no ano passado antes de passar por testes clínicos em larga escala.

Alguns funcionários da UE, como o Comissário do Mercado Interno Thierry Breton, continuam a desprezar a droga. "Não precisamos da Sputnik V", disse ele no domingo.

Mas o presidente russo, Vladimir Putin, reagiu na segunda-feira: "Não estamos impondo nada a ninguém", disse o presidente de 68 anos, anunciando que planeja se vacinar esta semana.

De acordo com seu Ministro da Saúde, Mikhail Murashko, especialistas da Agência Europeia de Medicamentos visitarão a Rússia em abril para revisar os testes clínicos da Sputnik V.

O órgão responsável pela Sputnik anunciou na segunda-feira um acordo com o grupo farmacêutico indiano Virchow Biotech para produzir 200 milhões de doses anuais.

Até que os programas de vacinação estejam totalmente operacionais, as manifestações em massa continuam a causar dores de cabeça para os governos, com os manifestantes tomando as ruas contra as restrições ao vírus em países como Alemanha, Holanda, Áustria e Bulgária.

- Chorando pelos mortos -

Apesar da distribuição das vacinas, a terceira onda de covid-19 continua implacável, com uma aceleração dos contágios. Na semana passada, a média foi de 465.300 novos casos por dia no mundo. Com exceção da África e do Oriente Médio, todas as regiões registraram aumentos: Ásia +34%, Europa +18%, Estados Unidos/Canadá +15% e América Latina e Caribe +5%.

No Brasil, o segundo país com mais mortes atrás dos Estados Unidos com 294.042 mortes e mais de 11,9 milhões de casos, o Rio de Janeiro decidiu fechar suas praias neste fim de semana, enquanto São Paulo implementou restrições e antecipou feriados.

Já o presidente da vizinha Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou prolongar o confinamento durante a Semana Santa para frear o avanço da variante brasileira do coronavírus.

Enquanto isso, alguns países estão de luto pelo aniversário de suas primeiras mortes pelo vírus.

Os sinos das igrejas tocaram em toda a República Tcheca na segunda-feira para marcar um ano desde a primeira fatalidade da covid-19 no país, que tem a maior taxa de mortalidade per capita do mundo, de acordo com dados coletados pela AFP.

E na terça-feira, o Reino Unido vai comemorar o aniversário do primeiro confinamento do coronavírus com um "Dia Nacional de Reflexão", no qual o Parlamento prestará um minuto de silêncio em homenagem às mais de 125.000 pessoas que morreram.

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