Astros chineses cortam laços com marcas que reagiram à situação de minoria islâmica

Louise Queiroga
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Após as marcas de moda Adidas e H&M se manifestarem contrárias às condiçoes de trabalho na região de Xinjiang, na China, os astros Jackson Wang e Victoria Song, que ganharam fama internacional nos grupos de K-pop GOT7 e f(x), respectivamente, informaram que romperam com estas empresas. Jackson modelava para a esportiva alemã, enquanto Victoria estrelava campanhas para a varejista sueca.

A artista, que integrou o f(x) entre 2009 e 2019, anunciou a decisão através da página de seu estúdio no Weibo nesta quarta-feira, dia 24.

"Os interesses do país são mais importantes do que qualquer outra coisa. Estamos combatendo firmemente toda a estigmatização contra a China e discordamos firmemente de usar esse tipo de estratégia de negócios para difamar e caluniar o país e seus cidadãos", afima a nota da modelo, que também havia participado do design de roupas pela H&M.

Jackson, que integra o GOT7 desde 2014, embora tenha já saído da agência JYP Entertainment, usou a mesma rede social chinesa para informar sua escolha em cancelar a parceria com a Adidas. Um comunicado foi publicado na página do Team Wang nesta quinta-feira, dia 25.

"A partir de hoje, este estúdio e o Sr. Jackson Wang deixarão de trabalhar com a marca Adidas Originals. Os interesses do país estão acima de tudo, e o estúdio e o Sr. Jackson Wang são estritamente contra todos os atos maliciosos que difamam e caluniam a China", justifica.

Nem a H&M, nem a Adidas, se pronunciaram a respeito dos rompimentos informados pelos artistas.

Nas redes sociais, a reação dos cantores dividiu opiniões entre fãs e internautas de forma geral. Enquanto alguns entendem o posicionamento de ambos e os defendem, outros criticam a decisão com base no apoio a um governo que estaria discriminando uma minoria, conforme apontam as acusações.

Em outubro de 2020, o grupo Better Cotton Initiative (BCI), que visa a produzir algodão de forma sustentável, anunciou que suspenderia o uso da matéria-prima vinda de Xinjiang para o restante do ano, além de todo o ano de 2021. Tanto a H&M quando a Adidas fazem parte da BCI, assim como Nike e Japan's Fast Retailing.

As empresas alegam que há trabalho forçado e discriminação de minorias étnico-religiosas em Xinjiang. A acusação, porém, é repudiada na China. As condições precárias na região em questão envolveriam ainda maus-tratos à minoria islâmica formada pelos uigures em campos de concentração.

De acordo com a agência de notícias "Reuters", a H&M tem 505 lojas na China, correspondente a seu quarto maior mercado, com vendas equivalentes a 9,75 bilhões de coroas suecas em 12 meses até novembro de 2020.

Quanto à produção de roupas, a China é, junto com Bangladesh, a principal fonte. Só na China, são mais de 1,3 mil fábricas, conforme dados do site da própria varejista sueca.

A Adidas, por sua vez, afirma em seu relatório anual de 2020 que as vendas líquidas na China em 2020, excluindo a marca Reebok, foram de 4,3 bilhões de euros, de um total de 18,4 bilhões.

O relatório anual disse que 15% dos calçados da Adidas, 20% de suas roupas e 36% dos acessórios e equipamentos como bolas e bolsas são produzidos na China.