Bélgica investiga 3 empresas por exportar químicos à Síria sem permissão

Bruxelas, 19 abr (EFE).- A autoridadee aduaneira da Bélgica levará à justiça três empresas que exportaram para Síria sem as permissões necessárias 96 toneladas de isopropanol, um componente utilizado para fabricar gás sarin, cuja exportação foi proibida em 2013, quando o país assinou a Convenção sobre Armas Químicas.

As três companhias serão julgadas por exportar sem permissão à Síria e ao Líbano 485 toneladas de vários produtos químicos.

Tal venda foi feita apesar de o envio destas substâncias à Síria estar sujeito desde 2013 à obtenção de uma licença prévia, já que algumas delas podem ser utilizadas para fabricar armas químicas, segundo revelou uma investigação da revista "Knack" e a organização alemã Syrian Archive.

As empresas realizaram 24 envios entre 2014 e 2016 que continham 168 toneladas de isopropanol, 219 toneladas de acetona, 77 toneladas de metanol e 21 toneladas de diclorometano.

Destes, cinco envios foram feitos à Síria com 96 toneladas de isopropanol, uma substância que é utilizada na fabricação do mortal gás sarin - utilizado como arma química - e para outros produtos, como desinfetantes, produtos de limpeza e fármacos.

A investigação da revista belga e da organização alemã revelou a ilegalidade quando, após uma pesquisa na base de dados de comércio das Nações Unidas (Comtrade), descobriram que a Bélgica era o único país que continuou exportando isopropanol à Síria desde que o requisito de ter uma permissão prévia foi introduzido em 2013.

Nesse ano o país assinou a Convenção sobre Armas Químicas, por isso teve que destruir totalmente suas reservas de isopropanol e se desfez de 133 toneladas desse produto, segundo a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ).

As empresas, que passarão por seu primeiro julgamento no próximo dia 15 de maio, alegam que não conheciam as exigências de ter uma licença prévia para exportar estes materiais à Síria e argumentam que as autoridades alfandegárias analisam e controlam por sistema as cargas que se dirigem ao país árabe.

Por sua vez, em entrevista à rádio pública do seu país, o ministro das Relações Exteriores da Bélgica, Didier Reynders, pediu hoje que se espere os resultados do julgamento, mas afirmou que se houve irregularidades, "será necessário impor sanções grandes". EFE