Ataque da Ucrânia mata dezenas de recrutas da Rússia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um ataque com foguetes de artilharia americanos feito pela Ucrânia na véspera do ano novo matou ao menos 63 reservistas mobilizados por Vladimir Putin para seu esforço de guerra no país invadido há mais de dez meses.

A ação ocorreu em Makiivka, uma cidade contígua a Donetsk, capital da província homônima que está sob controle de separatistas russos desde 2014, quando Putin anexou a Crimeia como retaliação pela derrubada do governo pró-Kremlin em Kiev, dando início à guerra civil que foi ampliada para o maior conflito entre Estados na Europa desde 1945.

Ali havia um quartel para abrigar alguns dos 320 mil reservistas convocados no fim do ano passado, para grande reação popular na Rússia. O Ministério da Defesa russo só admitiu as 63 mortes, enquanto a mesma pasta em Kiev estimou mais de 400 vítimas.

A verdade deve estar no meio do caminho. Algumas pistas foram dadas pelo conhecido blogueiro militar russo Rybar, que tem mais de 1 milhão de seguidores no Telegram, e pelo notório Igor Girkin, que foi um dos líderes da revolta pró-Rússia no Donbass --a região russófona do leste ucraniano, composta por Donetsk e Lugansk.

Ambos disseram que havia um depósito de munição em um prédio adjunto aos dormitórios, e que havia 600 pessoas no local na hora do ataque. Imagens em redes sociais mostram o lugar totalmente em escombros. "Os mortos são na casa das centenas", escreveu também no Telegram Girkin, que caiu em desgraça com o Kremlin e hoje é um crítico do rumo da guerra da Putin.

Se os relatos forem verdadeiros, trata-se de um erro crasso dos comandantes locais. O sistema usado no ataque, o Himars, lança mísseis com alta precisão, mas usualmente não tem poder para o estrago visto nas imagens.

É o pior golpe sofrido pela criticada campanha de recrutamento de Putin, que pode dar musculatura ao Kremlin para novas ofensivas, após passar os últimos meses num movimento múltiplo.

Em Kherson, que como Lugansk, Donetsk e Zaporíjia é uma região declarada russa por Moscou, apesar do controle não ser total, as forças de Putin se retiraram para posições mais facilmente defensáveis, recuando para a margem leste do rio Dnieper.

No Donbass, particularmente em Donetsk, há os combates mais violentos da guerra, segundo relatos. Enquanto isso, Moscou lança ondas de ataques aéreos com mísseis e drones, visando destruir a infraestrutura energética ucraniana em pleno inverno, para ganhar tempo e reorganizar suas forças --além de minar o espírito dos adversários.

A mobilização, decretada no fim de setembro, gerou a primeira queda na popularidade de Putin desde o começo da guerra, mas ele já a recuperou. Tem, segundo o instituto independente Levada, 83% de aprovação popular.

As críticas até de aliados em rede nacional de TV fizeram os critérios arbitrários serem revistos, e o processo foi acelerado para ser logo dado como encerrado. Como o recrutamento anual de 120 mil soldados para o serviço obrigatório ocorreu no fim do ano, há a expectativa de que uma nova mobilização só se faça necessária, caso a guerra continue em impasse, mais para a frente.