Ataque dos EUA deixa família afegã morta, incluindo seis crianças

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TOPSHOT - Afghan residents and family members of the victims gather next to a damaged vehicle inside a house, day after a US drone airstrike in Kabul on August 30, 2021.  / AFP / WAKIL KOHSAR
Familiares da vítimas e vizinhos se reunem ao redor de veículo atingido em casa, após ataque de drone norte-americano. Foto: AFP / WAKIL KOHSAR
  • Drone norte-americano foi enviado para interceptar carro-bomba

  • Vítimas não tinham ligação com Estado Islâmico, afirma família

  • Porta-voz dos EUA disse apenas que mortes serão investigadas

Um ataque com drone dos Estados Unidos contra um carro-bomba do Estado Islâmico em Cabul, capital do Afeganistão, no último domingo (29), deixou dez membros de uma mesma família mortos, incluindo seis crianças.

Zemaray Ahmadi, 36, foi morto ao lado de seus filhos Zamir, Faisal e Farzad - de 20, 16 e 12 anos, de acordo com relatos da família ao canal SkyNews.

Seis sobrinhos de Ahmadi também morreram no ataque: um menino e uma menina de 2 anos, duas meninas de 5 e 7 anos, um menino de 6 anos e um homem de 28 anos.

Segundo a família, Ahamdi trabalhou como engenheiro técnico para uma organização estrangeira por dez anos.

Um parente das vítimas, Ramin Yousufi, falou à emissora BBC, e disse que a família era conhecida por seu trabalho de caridade nos últimos vinte anos e que não tinham nenhuma associação com o Estado Islâmico. "É errado, é um ataque brutal”, lamentou ele.

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"Por que eles mataram nossa família? Nossas crianças? Eles estão tão queimados que não podemos identificar seus corpos, seus rostos", disse ele, chorando.

O porta-voz do Pentágono, John Kirby, afirmou hoje que "ninguém quer ver vidas inocentes sendo tiradas" e disse apenas que a morte de civis está sendo "investigada".

"Não se engane, nenhum militar na face da terra trabalha mais para evitar vítimas civis do que os militares dos Estados Unidos, e ninguém quer ver vidas inocentes serem tiradas. Levamos isso muito, muito a sério e quando sabemos que causamos a perda de vidas inocentes na condução de nossas operações, somos transparentes sobre isso.”

Ainda assim, Kirby defendeu a inteligência sobre "o que acreditávamos ser uma ameaça muito real, muito específica e muito iminente" contra o aeroporto de Cabul e as tropas e civis que se aglomeram no local.

Kirby reforçou que as ameaças contra o aeroporto seguem sendo “reais” e “concretas”. A operação de retirada de pessoas do país tem previsão para terminar amanhã, terça-feira, dia 31.

"Agora estamos em um momento particularmente perigoso", disse Kirby à imprensa. "As ameaças continuam sendo reais, estão ativas e, em alguns casos, são muito concretas".

Sobre a evacuação, o general do Exército americano Hank Taylor informou que, desde 14 de agosto, mais de 122 mil pessoas foram retiradas de Cabul, incluindo 5.400 americanos.

Resposta norte-americana

Os Estados Unidos operam agora ataques contra o Estado Islâmico-Khorasan (EI-K), braço do grupo terrorista inimigo do Talibã que atua no Afeganistão. O EI-K assumiu a autoria do atentado a bombas no aeroporto de Cabul na última quinta-feira (26), que deixou ao menos 180 mortos e 200 feridos, incluindo 13 militares norte-americanos.

No dia seguinte, sexta-feira (27), um drone norte-americano atacou a província de Nangahar, mirando em membros do EI-K, que, segundo o governo, foram mortos.

Outro ataque contra o grupo terrorista foi realizado no domingo (29), mirando em um carro que levava uma bomba ao aeroporto. Foi nesse ataque que a família perdeu a vida.

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