Ataque em cemitério saudita não muçulmano de Jidá deixa ao menos dois feridos

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Imagem do muro do cemitério não muçulmano de Jidá

Ataque em cemitério saudita não muçulmano de Jidá deixa ao menos dois feridos

Imagem do muro do cemitério não muçulmano de Jidá

Ao menos duas pessoas ficaram feridas nesta quarta-feira (11) em um ataque com explosivos no cemitério não muçulmano da cidade saudita de Jidá, durante uma cerimônia de recordação do armistício da Primeira Guerra Mundial, com a participação de diplomatas ocidentais.

"Os serviços de segurança abriram uma investigação sobre a agressão covarde durante uma reunião de cônsules estrangeiros", disse o governo de Meca, que inclui Jidá.

"Um funcionário consular grego e um policial saudita ficaram levemente feridos", acrescentou o comunicado.

Em 29 de outubro, um guarda do consulado francês nessa cidade ficou ferido em um ataque com faca.

A França se tornou alvo de indignação no mundo muçulmano depois que a revista satírica Charlie Hebdo voltou a publicar charges do profeta Maomé. Essas ilustrações provocaram, em janeiro de 2015, um ataque violento contra a sede do semanário em Paris.

Em um comunicado conjunto, os consulados presentes na cerimônia condenaram "com força este ataque covarde contra pessoas inocentes".

Na cerimônia, estavam os representantes diplomatas da França, Grécia, Itália, Reino Unido e Estados Unidos.

A polícia saudita fechou as estradas que conduzem ao cemitério, localizado no centro de Jidá, segundo um fotógrafo da AFP no local.

Uma testemunha, Nadia Chaaya, declarou à rede francesa BFM.TV que estava no local quando houve a explosão, no fim do discurso do cônsul francês.

"No início não entendemos o que estava acontecendo, mas depois percebemos que nós éramos o alvo" do ataque.

Os diplomatas conseguiram abandonar rapidamente o cemitério.

A missão da União Europeia no reino saudita pediu "uma investigação rápida e profunda".

- Ira contra a França -

Vários países recordam nesta quarta-feira o 102º aniversário do armistício assinado para encerrar a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

O cemitério não muçulmano de Jidá é anterior ao nascimento da Arábia Saudita como nação em 1932. Abriga restos mortais de inúmeros não muçulmanos, entre eles os restos de um soldado francês que morreu durante a Primeira Guerra Mundial e de um soldado britânico morto na Segunda Guerra.

O mundo muçulmano, especialmente os círculos mais radicais, continua agitado, semanas após as declarações do presidente francês, Emmanuel Macron, que se mostrou partidário de permitir que as charges de Maomé sejam publicadas em nome da liberdade de expressão.

Em sua interpretação estrita, o Islã proíbe qualquer representação de Maomé.

Macron prometeu que não renunciaria ao direito de mostrar as imagens satíricas do profeta após a decapitação em outubro de um professor francês que, poucos dias antes, exibiu as imagens em uma aula sobre liberdade de expressão.

Em alguns países de maioria muçulmana, foram organizadas campanhas de boicote contra produtos franceses, e os fiéis reagiram com ira às declarações do presidente francês. Alguns chegaram a queimar fotos de Macron.

Em uma entrevista posterior, Macron admitiu, no entanto, que as charges podem ferir a sensibilidade dos muçulmanos, destacando que há muitas "manipulações" e atitudes "violentas" ao redor das imagens.

França, Áustria, Alemanha e a União Europeia (UE) organizaram na terça-feira uma reunião por videoconferência para tentar reforçar a resposta europeia ao terrorismo.

Criticada por sua promoção do wahabismo, que defende um islã rigoroso, a Arábia Saudita busca mudar sua imagem, com reformas sociais adotadas nos últimos anos com o estímulo de Mohammed bin Salman, que ao mesmo tempo acentuou a repressão aos dissidentes desde que assumiu o posto de príncipe herdeiro em 2017.

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