Ataque em escolas de Aracruz: PM pai de atirador diz que filho sofria bullying

Ataques em escolas de Aracruz mataram quatro pessoas (KADIJA FERNANDES/AFP via Getty Images)
Ataques em escolas de Aracruz mataram quatro pessoas (KADIJA FERNANDES/AFP via Getty Images)
  • Adolescente de 16 anos matou quatro pessoas e feriu 12 em ataques a escolas de Aracruz

  • Pai afirmou que jovem mudou o comportamento após ser alvo de bullying

  • PM também se esquivou de críticas por postagem de conteúdos nazistas

O pai do adolescente responsável pelos ataques que deixaram quatro mortos e 12 feridos em duas escolas da cidade de Aracruz, no Espírito Santo, na última sexta-feira (25), garantiu que o filho agiu após ser vítima de bullying.

Em entrevista à TV Record, o tenente da Polícia Militar relatou que percebeu uma "transformação" no filho de 16 anos após supostos ataques psicológicos sofridos pelo jovem.

"É um sentimento totalmente de surpresa. Diante de uma atitude dessas, inesperada. Nós nunca nem imaginávamos algo assim. Ele [o meu filho] passou por um problema de bullying, realmente há um período de aproximadamente uns dois anos. Ele andou reclamando disso com a gente. E, a partir desse momento, houve sim uma transformação", declarou.

O homem, que não teve a identidade revelada, afirmou que gostaria de pedir perdão às famílias da vítima, mas esquivou-se de qualquer responsabilidade pela atitude do filho, afirmando que o jovem foi influenciado por "pessoas do mal".

"[Se eu encontrasse os parentes das pessoas que morreram], com certeza, eu iria estar pedindo o perdão em nome do meu filho. E dizer o mais importante: tem pessoas maquiavélicas, pessoas do mal por trás. E o contato, eu acredito que seja pela internet, que manipula esses jovens, contamina eles. E levam eles a cometer esse tipo de atitude, a cometer tragédias como essa."

O PM também fugiu da responsabilidade pela postagem de conteúdo nazista em suas redes sociais, como uma foto da capa do livro "Minha Luta", em que Adolf Hitler expressa seus ideais antissemitas.

"Estou recebendo uma série de ameaças, por parte de pessoas que eu não conheço, falando que eu sou nazista, que eu que ensinei meu filho a atirar, que eu forneci as armas para ele cometer esse tipo de atentado", comentou.

Armas eram do pai

O assassino de 16 anos, usou duas armas do pai no ataque. Na vestimenta utilizada, um símbolo nazista chamou a atenção dos investigadores.

O adolescente vai responder por ato infracional semelhante aos crimes de nove tentativas de homicídio qualificado e quatro homicídios qualificados, por motivo fútil e sem possibilidade de defesa das vítimas.

A Polícia Militar informou, por nota, que vai analisar a necessidade de abertura de procedimento administrativo disciplinar contra o policial militar, que é pai do assassino e dono das duas armas usadas no crime.

Sete feridos permanecem internados. Quatro em estado grave.

Linha do tempo do ataque à escola em Aracruz: