Ataque jihadista deixa dezenas de civis mortos no Mali

Dezenas de civis morreram em um ataque de jihadistas afiliados ao grupo Estado Islâmico (EI) em Talataye, cidade do norte do Mali, indicaram um funcionário local e um responsável de um grupo armado nesta sexta-feira (9).

É a primeira vez que Talataye, a cerca de 150 km de Gao, sofre um ataque de tal magnitude por parte do grupo Estado Islâmico no Grande Saara (EIGS, filiado ao EI).

Talataye, um aglomerado de aldeias localizadas em uma vasta área desértica, está na convergência de áreas de influência de diferentes grupos armados, e os confrontos são recorrentes.

Os jihadistas da EIGS, que chegaram na terça-feira, travaram uma batalha feroz contra os jihadistas rivais do Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (GSIM, afiliado à Al-Qaeda), e outros grupos armados, incluindo o Movimento pela Salvação de Azawad (MSA), de maioria tuaregue, informaram diferentes interlocutores à AFP.

A situação no terreno não é clara, já que é difícil de obter informações confiáveis desta área remota perigosa, muito distante das redes de comunicação.

O número de mortos também varia de acordo com as fontes, mas todos falam de dezenas de mortes de civis, embora não esteja claro quantos ficaram presos entre os combates.

Os homens do EIGS, emergindo dos arbustos em motocicletas, conseguiram, após intensos combates de mais de três horas, tomar a cidade na noite de terça-feira, informaram interlocutores locais no início da semana.

- Civis vítimas do fogo cruzado -

Um funcionário local eleito falou de 45 vítimas civis, enquanto um funcionário da MSA anunciou 30 mortes. Ambos destacam a queima de casas e do mercado.

Por sua vez, um trabalhador humanitário afirmou que várias dezenas de civis foram mortos.

Tanto o oficial eleito local quanto o chefe do MSA relataram a retirada, pelo menos parcial, dos combatentes do EIGS.

"Atualmente controlamos uma parte da cidade e o GSIM a outra", disse o funcionário da MSA.

Uma associação de mulheres, originárias da localidade mas instaladas em Gao, lançou um "apelo urgente para ajudar as populações afetadas".

Talataye tinha cerca de 13.000 habitantes em 2009, data do último censo no Mali.

O GSIM é considerado muito influente nesta região habitada principalmente por nômades tuaregues.

Outros grupos armados que assinaram acordos de paz com o estado do Mali em 2015 depois de combatê-lo, principalmente combatentes do MSA, também estão baseados na área.

Toda esta imensa região de Gao e Ménaka, mais ao leste, é alvo de combates entre jihadistas ou entre jihadistas e outros grupos armados, essencialmente tuaregues, há meses.

A presença do Estado é escassa e a população, composta principalmente por nômades que vivem em acampamentos dispersos no deserto, é pega no fogo cruzado e é vítima de massacres e represálias por suspeita de conluio com o inimigo.

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