Ataque que incendiou sede judicial deixa ao menos um morto na Colômbia

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Bombeiro trabalha no Palácio da Justiça de Tuluá, departamento de Valle del Cauca, Colômbia, em 26 de maio de 2021

Pelo menos um jovem morreu durante um protesto que terminou com o incêndio do Palácio da Justiça no município de Tuluá, no sudoeste da Colômbia, epicentro da sangrenta revolta social que abala o país há um mês.

Camilo Andrés Arango, um universitário de 18 anos, aparentemente morreu devido a um ferimento por "arma de fogo", informou o general Jorge Vargas, diretor da Polícia Nacional, em entrevista coletiva nesta quarta-feira (26).

Os fatos ocorreram na noite de terça-feira, quando um protesto pacífico foi interrompido por dois homens que atacaram os uniformizados com pedras e os lançaram contra a sede do Judiciário. Segundo o responsável, o corpo sem vida do jovem foi encaminhado para um posto de saúde por volta das dez da noite.

Dois outros civis também foram baleados durante o dia de distúrbios, além de 18 empresas saqueadas, incluindo uma loja de veículos da qual 60 motocicletas foram roubadas.

A polícia não deu pistas sobre os responsáveis pelo tiroteio.

O estudante é uma das 43 vítimas fatais em quase um mês de protestos contra o governo do conservador Iván Duque, segundo contagem da Defensoria Pública.

A ONG Human Rights Watch afirma ter recebido 61 "denúncias confiáveis" sobre mortes "ocorridas desde o início dos protestos", das quais pôde constatar que 24 "estão relacionadas com as manifestações". Seriam 22 civis e dois policiais.

Desde o início das mobilizações, em 28 de abril, o departamento de Valle del Cauca, onde fica Tuluá, tem sido o epicentro das manifestações, duramente reprimidas pelas forças públicas.

Sem uma liderança ou agenda comum, os manifestantes exigem um estado mais solidário diante da devastação econômica da pandemia e uma reforma da polícia, envolvida em diversos casos de abusos.

O governo assegura que organizações armadas, como dissidentes da guerrilha dissolvida das Farc e a última guerrilha reconhecida no país, o ELN, se infiltraram no protesto para provocar vandalismo e atacar as forças públicas. Manifestantes de maior visibilidade negociam há quase duas semanas com o governo sem chegar a um acordo.

A chamada Comissão Nacional de Greve exige que o presidente reconheça os abusos da força pública durante os protestos, enquanto o governo pede o levantamento de 73 bloqueios que afetam o abastecimento de várias cidades.

O Comitê convocou novas mobilizações para esta quarta-feira e 28 de maio.

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