Ataque de talibãs contra exército mata civis no Afeganistão

Por Adnan Rahimi
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Soldado do exército afegão convalece em hospital após ataque à base militar de Gardez, capital da província de Paktia (este), em 14 de maio de 2020

Cinco civis foram mortos nesta quinta-feira em um ataque dos talibãs a um prédio do exército afegão em Gardez (leste), dois dias depois de Cabul ter anunciado a retomada de sua ofensiva contra insurgentes.

O ataque, realizado de manhã por "um kamikaze com um pequeno caminhão carregado de explosivos", também deixou quinze outros civis feridos, além de cinco soldados, segundo comunicado do Ministério da Defesa.

O porta-voz do governador da província de Paktia, onde este ataque ocorreu, Abdulah Hasrat, apresentou um balanço diferente, com um soldado morto e 24 pessoas feridas.

Os talibãs negam terem matado civis e enumeraram "dezenas de soldados mortos e feridos".

"Após o anúncio da ofensiva, um ataque foi realizado contra uma grande base militar no governo de Cabul", disse o porta-voz dos talibãs, Zabihulah Mujahid, em mensagem à imprensa via WhatsApp.

Desde a assinatura de um acordo histórico entre Washington e os talibãs, com objetivo da retirada de tropas estrangeiras do Afeganistão, os insurgentes intensificaram sua ofensiva contra as forças afegãs. Eles também rejeitaram vários pedidos de cessar-fogo por Cabul e atores internacionais.

- "Abominável" -

Por várias semanas, as forças afegãs apenas se limitaram a se defender dos ataques dos talibãs para dar uma chance às negociações de paz.

No entanto, depois de declarar que os talibãs e o grupo Estado Islâmico (IS) foram responsáveis por ambos os ataques, o presidente afegão ordenou que as forças afegãs "retomem operações contra o inimigo".

Os talibãs rejeitaram qualquer responsabilidade pelos ataques de terça-feira, que mataram 52 civis, e acrescentaram que estão "totalmente preparados" para responder às forças afegãs.

Um ataque a uma maternidade em Cabul matou pelo menos 24 pessoas. Imagens de mães falecidas e bebês recém-nascidos sob cobertores ensanguentados provocaram uma onda de indignação em todo o mundo.

"Atacar deliberadamente bebês, crianças, mães e profissionais de saúde é particularmente abominável", denunciou o Conselho de Segurança da ONU.

A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), que apoia a unidade de cuidados maternos do hospital, localizada no oeste de Cabul, disse que uma mulher deu à luz durante o ataque, que durou várias horas.

- "Sério revés" -

Após esse ataque à maternidade, outras 32 pessoas morreram em outro ataque suicida em um funeral, no leste do país, reivindicado pelo Estado Islâmico.

Para o analista afegão Sayer Naser Musawi, a violência desencadeada nesta semana representa um "sério revés" para o processo de paz.

"A frustração do governo afegão é completamente justificada e também não vê nenhuma intenção pacífica por parte dos talibãs", disse ele à AFP.

No entanto, os talibãs não reivindicaram nenhum ataque nas grandes cidades e não têm como alvo as forças estrangeiras desde o acordo alcançado com Washington no final de fevereiro.

Os serviços de inteligência afegãos, no entanto, denunciaram na quarta-feira que os insurgentes realizaram 3.712 ataques, matando quase 500 civis, desde que o texto foi assinado.

O acordo previa negociações sem precedentes entre o governo afegão e os talibãs para definir o futuro do país, que está em guerra há 40 anos.

No entanto, essas conversas foram adiadas devido a disputas entre os dois campos, principalmente em relação à troca de prisioneiros.