'Ataque violento': China, Rússia e Alemanha condenam atos golpistas em Brasília e reforçam apoio a Lula

Os governos da China e da Rússia reagiram nesta segunda-feira aos ataques realizados por bolsonaristas radicais no domingo contra o Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal e o Congresso. Somando-se a representantes de todo o planeta, ambos países condenaram com contundência os atos golpistas e reforçaram seu apoio ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em suas declarações diárias à imprensa, a Chancelaria de Pequim disse que "se opõe firmemente ao ataque violento" contra os Três Poderes brasileiros e que "apoia as medidas tomadas pelo governo brasileiro para acalmar a situação, restaurar a ordem social e preservar a estabilidade nacional".

— A China acompanha de perto e se opõe firmemente ao ataque violento contra as autoridades federais no Brasil em 8 de janeiro — afirmou o porta-voz Wang Wenbin. — Acreditamos que, sob a liderança do presidente Lula, o Brasil manterá a estabilidade nacional e a harmonia social — completou, referindo-se ao país como um "parceiro estratégico".

Além dos chineses, maiores parceiros comerciais do Brasil, os russos também se juntaram às condenações feitas na véspera por países como os EUA, França, Reino Unido, além de quase todas as nações latino-americanas e a União Europeia (UE). Também por meio de seu porta-voz, o Kremlin disse "apoiar plenamente" Lula:

— Condenamos da maneira mais firme as ações dos instigadores de distúrbios e apoiamos plenamente o presidente brasileiro Lula da Silva — disse o representante Dmitry Peskov.

Também nesta segunda, a presidente da Comissão Europeia, o braço Executivo da UE, pronunciou-se no Twitter sobre as cenas golpistas no Distrito Federal. Em uma postagem no Twitter durante a madrugada, ela disse que "condena veementemente o atentado à democracia no Brasil":

"Essa é uma grande preocupação de todos nós, os defensores da democracia", escreveu ela. "Meu apoio total a Lula, que foi eleito em um pleito livre e justo."

No domingo, o chefe de diplomacia da UE, Josep Borrell, já havia emitido uma nota criticando os ataques em Brasília, afirmando que a "democracia brasileira prevalecerá sobre a violência e o extremismo". Disse ainda que os "líderes políticos brasileiros, e especialmente o ex-presidente [Jair] Bolsonaro", precisam pedir o fim da violência.

Já o chanceler alemão, Olaf Scholz, tuitou em português e alemão:

"Imagens terríveis chegam do Brasil", disse o social-democrata. "Os ataques violentos contra as instituições democráticas são um atentado à democracia que não pode ser tolerado. Estamos profundamente solidários com o presidente Lula e o povo brasileiro!"

O governo da Espanha voltou a comentar os ataques nesta segunda, afirmando ver nelas um "rastro trumpista" — uma referência aos paralelos com o ataque ao Capitólio americano em 6 de janeiro de 2021 por turbas insufladas pelo então presidente dos EUA, Donald Trump, que travou uma malsucedida cruzada antidemocrática para reverter o voto popular. Segundo o chanceler José Manuel Albanes, o "padrão de atuação" dos bolsonaristas radicais é "praticamente idêntico" ao visto nos EUA.

— Há um rastro, digamos, trumpista, no que ocorreu ontem [domingo], com ultradireitistas mobilizados entrando no Congresso — disse ele durante um evento em Madri com embaixadores.

Ao lado de Albanes, o primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que os fatos no Brasil "nos lembram qual é a maior ameaça que pesa sobre a democracia, a paz e a prosperidade no mundo: (...) é a ressurgência de movimentos radicais dispostos a arrasar com tudo". No domingo, ele já havia tuitado demonstrando seu apoio a Lula e às "instituições livres e democraticamente eleitas pelo povo brasileiro".