Ataques a China atrasam a chegada de insumos para vacina, admitem membros do governo Bolsonaro

Redação Notícias
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Brazilian Federal Deputy Eduardo Bolsonaro talks with Brazil's Foreign Minister Ernesto Araujo  during an International Seminar of Brazilian Foreign Policy in Brasilia, Brazil November 21, 2019.REUTERS/Adriano Machado
Deputado federal Eduardo Bolsonaro e o chanceler Ernesto Araújo criticaram o governo chinês (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

A relação conturbada do governo Jair Bolsonaro com a China tem travado a importação de insumos para a produção das vacinas contra a covid-19 no Brasil.

Integrantes do alto escalão reconheceram que os ataques estão prejudicando a chegada do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), princípio ativo da Coronavac, vacina produzida pelo Instituto Butantan, em parceria com o laboratório chinês Sinovac.

Esse assunto foi tratado na tarde de segunda-feira (18) em reunião do presidente com ministros no Palácio do Planalto.

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O IFA também usado para a produção da vacina de Oxford/Astrazeneca no Brasil. A Fiocruz tinha a previsão de que o princípio já estivesse disponível no Brasil no último dia 12, mas ainda aguarda informações da Astrazeneca e das autoridades regulatórias da China, que têm protocolos específicos para exportação da carga, para confirmar a chegada dos primeiros insumos para a vacina.

De acordo com a CNN, integrantes do governo disseram que a ordem agora é para que haja um esforço de reaproximação com o governo chinês. Embora tenha sido um dos principais a atacar a China, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, tem mantido contato diário com o seu correspondente chinês, segundo relatos ouvidos pela emissora.

Além disso, o chanceler tem mantido contato com o governo indiano para tentar a vinda de 2 milhões de doses da vacina de Oxford.

Ministros dizem também que o impasse com a China também envolve a negociação financeira. Integrantes do governo federal afirmaram ainda que o governo chinês tem priorizado os países que conseguem pagar melhor pelos insumos.

“A questão política pesa, mas também pesa o fato de sermos um país de terceiro mundo. Estamos sendo tratados como tal”, afirmou o auxiliar de Bolsonaro.

CONSEQUÊNCIAS NEGATIVAS

Um dos “incidentes diplomáticos” com a China aconteceu em novembro do ano passado, quando o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, acusou o Partido Comunista Chinês de espionagem.

"Instamos essas personalidades a deixar de seguir a retórica da extrema direita americana (...) Caso contrário, irão arcar com as consequências negativas e carregar a responsabilidade histórica de perturbar a normalidade da parceria China-Brasil", reagiu a embaixada da China no Brasil.

Ernesto Araújo ainda criticou a resposta do embaixador chinês a Eduardo pelo Twitter: “Tom ofensivo e desrespeitoso".

O próprio presidente Jair Bolsonaro chegou a dizer que desconfiava da "vacina chinesa", ao se referir à Coronavac.

“A China, lamentavelmente, já existe um descrédito muito grande por parte da população, até porque, como muitos dizem, esse vírus teria nascido lá”, acrescentou.