Ataques dos EUA ao EI podem ajudar Assad na Síria, admite Pentágono

O presidente sírio Bashar al-Assad é visto em 4 de outubro de 2014

O regime sírio de Bashar al-Assad pode se beneficiar dos ataques aéreos americanos contra alvos do Estado Islâmico (EI) - reconheceu o secretário americano da Defesa, Chuck Hagel, nesta quinta-feira.

As tropas de Assad estão lutando contra vários grupos rebeldes.

"Sim", admitiu Hagel, ao ser questionado sobre "se Assad poderia se beneficiar" da ofensiva aérea lançada por Washington e apoiada por uma coalizão internacional contra os jihadistas do EI na Síria e no Iraque.

"A medida em que nós e a coalizão vamos atrás do EI para ajudar os iraquianos a proteger seu governo, é claro que Assad obtém algum benefício com isto", disse Hagel.

"Temos que administrar a realidade que há pela frente com algumas estratégias de mais longo prazo (...) para chegar finalmente aonde acreditamos que precisamos ir", destacou Hagel, acrescentando que os Estados Unidos seguem exigindo a saída de Assad da presidência.

A estratégia de Obama para combater o EI é criticada nos Estados Unidos e no exterior por fortalecer potencialmente o regime de Assad, já que a aviação americana e aliada bombardeia um dos principais inimigos do regime em Damasco.

Em um memorando dirigido a Susan Rice, conselheira de Segurança Nacional de Obama, Hagel admite que a estratégia americana na Síria "corre o risco de se enfraquecer" precisamente pela confusão em torno da posição americana sobre Assad, segundo o New York Times.

Hagel não confirmou ou desmentiu as informações do jornal na entrevista coletiva concedida nesta quinta, mas disse que ele e outros altos funcionários têm a responsabilidade de oferecer conselhos sinceros ao presidente dos Estados Unidos.