Ataques israelenses se intensificam em Gaza, assim como o medo da população

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Aos 16 anos, Muhammad Najib é um adolescente como qualquer outro, um fã de videogames. Mas esse jovem palestino da Faixa de Gaza há alguns dias tem a impressão de que vive dentro de um jogo de guerra, rodeado por prédios destruídos pelo exército israelense.

Grandes buracos na rua, casas reduzidas a pó, escombros: os habitantes de Gaza acordaram nesta sexta-feira em um enclave devastado por bombardeios israelenses noturnos.

Segundo vários habitantes, é como se seu território sofresse um "terremoto contínuo", já que Israel decidiu intensificar sua ofensiva contra grupos armados em Gaza, liderados pelo movimento islâmico Hamas no poder, que lançou centenas de foguetes contra Israel, causando nove mortes.

Desde o início de uma nova escalada de violência na segunda-feira, mais de 100 palestinos foram mortos em bombardeios israelenses. Essas vítimas incluem 31 crianças, de acordo com as autoridades locais.

"Esses bombardeios caem sem parar como em um videogames", comparou Muhammad Najib, que mora na cidade de Gaza, muito perto da torre Al-Shoruk, que foi pulverizada e se transformou em uma enorme nuvem negra na quarta-feira. "Foi assustador", relembra.

Em Beit Hanun, ao norte do enclave de dois milhões de habitantes, localizado entre Israel, Egito e o Mar Mediterrâneo, Jassar Fayyad não tem mais casa. Na quinta à noite, “de repente ouvimos barulho de explosões (...) Bombardearam cerca de 10 vezes sem avisar”, lamenta.

"A eletricidade foi cortada e não podíamos nos ver, corremos para o hospital. Meu pai perdeu os dois pés, minha tia perdeu um olho e dois de meus parentes ficaram gravemente feridos", relata à AFP este jovem, que veste uma camisa toda ensanguentada.

“Costumo ficar acordado até tarde, agora odeio a noite”, admite Dima Talal, uma estudante de 17 anos do ensino médio. "Nestes últimos quatro dias, só dormi quatro horas por causa do medo".

“Estou mais assustada hoje do que em todos os outros dias de tensão, porque o barulho dos mísseis israelenses é muito alto, terrível, louco”, reitera a jovem moradora da Cidade de Gaza.

- "Eu não sei porque ele faz isso" -

Tiroteios entre o Hamas e o exército israelense são frequentes, e os dois inimigos travaram três guerras no enclave em menos de 15 anos (2008, 2012, 2014).

Para Ahmed Fatum, de 16 anos, não há "escalada" sobre o que os habitantes de Gaza vivem hoje. “É uma verdadeira guerra”, afirma.

“Israel destrói tudo: casas, edifícios e até terras agrícolas à nossa frente”, critica o jovem. No entanto, "não somos culpados de nada", acrescenta.

Aos 73, sua avó, Um Jallal Fatum, não está vivendo seus primeiros bombardeios, mas garante nunca ter visto ataques tão "violentos" em Gaza.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, alertou que os bombardeios em Gaza "ainda não acabaram".

“Ele é um criminoso porque mata crianças e destrói casas. Não sei por que ele faz isso”, lamenta Um Jallal Fatum.

O novo ciclo de violência começou na segunda-feira após dias de confrontos entre palestinos e policiais israelenses em Jerusalém Oriental, a porção palestina da Cidade Santa ocupada e anexada por Israel, que causou centenas de feridos.

As imagens da polícia israelense jogando granadas ensurdecedoras ou balas de borracha na Esplanada das Mesquitas para dispersar os palestinos, que revidaram com objetos e projéteis, causaram comoção.

O Hamas havia ameaçado lançar foguetes contra Israel se suas forças não se retirassem da Esplanada, o terceiro local mais sagrado do Islã e o local mais sagrado do judaísmo.

“Ele (Netanyahu) fez mal a Jerusalém e é por isso que os palestinos dispararam foguetes. Ele deve ir embora”, pede Um Jallal Fatum, acrescentando que esta é a única solução para a "paz" pela qual anseia.

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