Até 2027: Governo impõe sigilo a documentos da viagem de Bolsonaro à Rússia

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Ida de Bolsonaro à Rússia gerou polêmica; Encontro se deu pouco antes do início da guerra - Foto: REUTERS/Adriano Machado
Ida de Bolsonaro à Rússia gerou polêmica; Encontro se deu pouco antes do início da guerra - Foto: REUTERS/Adriano Machado

Os detalhes da viagem do presidente Jair Bolsonaro (PL) à Rússia, pouco antes da invasão da Ucrânia executada pelo presidente Vladimir Putin, foram colocados sob sigilo até 21 de fevereiro de 2027, imposto pelo Itamaraty.

A imposição do Ministério das Relações Exteriores (MRE), foi em resposta a questionamentos enviados pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que pediu detalhes da viagem como agenda, participantes da comitiva e assuntos tratados, entre outros.

Foram enviadas 15 perguntas, nas quais a bancada da sigla na Câmara questionou o Itamaraty sobre o conteúdo da conversa entre os presidentes.

Os parlamentares também pediram detalhes sobre possíveis menções ao conflito entre Rússia, Ucrânia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), assim como apontar de quem foi a iniciativa e com qual tom o assunto foi tratado.

Ainda foi solicitada uma avaliação da fala de Bolsonaro em visita à Hungria, “insinuando que sua visita à Rússia teria relação com a retirada de tropas russas das proximidades da Ucrânia”. Em resposta, o Itamaraty disse que comentar declarações do presidente “foge à competência institucional do MRE”.

“Foram intercambiadas visões sobre assuntos internacionais e respectivos entornos regionais, como a situação ao redor da Ucrânia. Não houve documento oficial emanado da reunião”, salientou o órgão.

A pasta, no entanto, impõe sigilo de cinco anos ao telegrama inserido entre os anexos do documento de respostas. A restrição foi decretada até 21 de fevereiro de 2027 e os motivos para justificar o sigilo foram ocultados.

O órgão respondeu a questões como os gastos discricionários da viagem, que incluem quase US$ 97 mil em diárias, mais de US$ 6 mil com intérpretes, cerca de US$ 125 mil com aluguel de veículos, US$ 12.595 com material de apoio ou escritório e US$ 890 com serviço de cerimonial.

Sobre os gastos do MRE com a viagem do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), que compôs a comitiva, a pasta afirmou que não existiram gastos.

“A designação da comitiva é da competência da Presidência da República”, definiu.

Entre outros questionamentos, o PSOL perguntou, também, se houve reuniões com representantes do Telegram ou se titulares da rede social participaram dos encontros entre Bolsonaro e Putin.

Foram indagados também se temas sociais como direitos da comunidade LGBTQIA+, direitos reprodutivos, proteção da família ou liberdade religiosa fizeram parte dos temas tratados entre os líderes.

A ambos os questionamentos, o Itamaraty disse que os tópicos não constavam no registro feito na Nota à Imprensa nº 24, publicada em 16 de fevereiro, com o título “Comunicado Conjunto do Presidente da República Federativa do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, e do Presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin”.

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