Atendente do McDonald's é baleado por causa de desconto no Rio

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Um atendente do McDonald's foi baleado na madrugada desta segunda-feira (9) quando trabalhava em uma unidade da Taquara, zona oeste do Rio de Janeiro. Segundo relatos, o atirador, que a polícia suspeita ser um sargento do Corpo de Bombeiros, ficou irritado por não conseguir usar um cupom de desconto.

Mateus Domingos Carvalho foi encaminhado ao Hospital Municipal Loureço Jorge, na zona oeste do Rio, e o seu estado de saúde é estável.

De acordo com Marcela Costa, tia do jovem, testemunhas disseram que o crime aconteceu depois que o homem apresentou o cupom quando seu pedido já havia sido finalizado. Mateus teria informado então que não poderia alterar a compra, porque o papel deveria ter sido mostrado antes.

"Ele só estava fazendo o trabalho dele. Falou que não tinha como prestar o serviço que o rapaz queria e acabou acontecendo isso tudo", disse ela, acrescentando que a família já pedia para o rapaz mudar de horário no trabalho por considerar o turno da madrugada perigoso.

"A gente fez de tudo para que ele saísse de lá por causa do horário, por ser de madrugada, mas ele preferiu ficar trabalhando. Queria que ele mudasse de horário por ser perigoso e por ele não ter essa maldade toda. Mas acabou acontecendo isso."

No mês passado, conta a tia, o rapaz já tinha sofrido uma ameaça na lanchonete quando identificou que um cliente estava tentando fazer uma compra usando uma nota falsa.

"Ele me ligou e disse o que tinha acontecido, que ele tinha ido para a delegacia, que nesse horário sempre acontece isso. Ele me falou que não teve briga. Só tentaram passar essa nota falsa mesmo."

Nascido em Minas Gerais, o rapaz vive há cinco anos no Rio. "O sonho dele é trabalhar para poder pagar a faculdade de veterinária. Ele teve que parar de estudar porque precisou trabalhar. Era uma coisa ou outra", diz a tia.

Imagens de câmeras de segurança às quais a reportagem teve acesso mostram Mateus dentro da cabine de atendimento na madrugada, quando recebe um soco de um homem de camisa preta e calça jeans que está do lado de fora.

Após o jovem revidar a agressão, o suspeito entra na unidade armado acompanhado por um homem de casaco laranja. Instantes depois, é possível ver uma funcionária correndo, enquanto o suspeito deixa a cozinha e coloca a arma na cintura. As imagens não mostram, porém, o momento em que os disparos são efetuados.

A Polícia Civil chegou a pedir a prisão temporária do suspeito. A Justiça do Rio, porém, negou, argumentando que o investigado foi identificado por meio de vídeos e fotografias que circulam nas redes e que ainda não se sabe a origem nem a forma como as imagens foram obtidas.

"Assim sendo, embora as investigações apontem a autoria delitiva na direção do investigado, o reconhecimento fotográfico fragiliza os elementos necessários para a decretação de sua prisão temporária", informou a polícia.

O advogado do suspeito, Sandro Figueiredo, diz que as imagens "não mostram com clareza" que se trata de seu cliente. "As imagens que eu vi nas redes sociais não mostram o meu cliente em momento algum disparando arma de fogo contra a vítima", declarou.

De acordo com a Polícia Militar, uma equipe do 18º Batalhão foi acionada para checar uma ocorrência envolvendo disparos de arma de fogo na unidade do McDonald's da Estrada dos Bandeirantes, na Taquara.

"Chegando ao local, os policiais encontraram um atendente ferido e o socorreram ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. O autor dos disparos já havia fugido. A 32ª DP foi acionada para investigar o caso", disse a corporação em nota.

O McDonald's lamentou o crime e disse que prestou socorro imediato ao funcionário. "A empresa está acompanhando e dando todo o suporte para seus familiares e já está colaborando com as investigações sobre o caso."

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