Atendimento médico e alimentação ajudam a explicar longevidade em SC

KATNA BARNA

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - O casal de aposentados Gardino, 85, e Margarida Beal, 77, moradores de Chapecó, oeste de Santa Catarina, integra o grupo de pacientes que todo médico gostaria de ter. Nenhum dos dois teve algum episódio grave de doença até agora, prova dos benefícios de fazer checkup uma vez ao ano, se alimentar de forma regrada e respeitar horários de dormir e de acordar.

Ambos já ultrapassaram a nova expectativa de vida do brasileiro, que aumentou em três meses e quatro dias entre 2017 e 2018, alcançando 76,3 anos, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (28).

Já a média de esperança de vida ao nascer do estado em que os idosos vivem ultrapassa em quase três anos a do país, ficando em 79,7 anos, a maior do Brasil. A diferença é maior ainda na comparação do estado do sul com o Maranhão, no nordeste, que ficou na última colocação da Tábuas Completas de Mortalidade. O estado nordestino marcou 71,1 anos de expectativa de vida.

Hercílio Hoepfner Júnior, presidente da Sociedade Catarinense de Geriatria, aponta que vários motivos levam o estado a sustentar o título de maior longevidade entre os brasileiros, como a melhora na qualidade no atendimento médico, seja no SUS ou nas instituições privadas, os cuidados com alimentação, e até mesmo o perfil genético da população.

"Uma das coisas que melhor funciona para atingir mais idade é o cuidado pessoal, e as pessoas estão começando a se cuidar melhor, até pela maior instrução", afirma.

Para Margarida, é possível observar esses cuidados no dia a dia. "Acho que Santa Catarina é um dos melhores lugares para se viver, pode se ver nas ruas que as pessoas vivem mais", diz.

O casal mantém na rotina a atividade física e participa de bailes todos os sábados, em clubes e no Centro de Tradições Gaúchas da cidade. Na casa de sítio, construída com a aposentadoria, eles também promovem encontros -sempre com danças- para amigos e familiares.

"Na Quaresma, por exemplo, quando fico 40 dias sem dançar, sinto um mal-estar por ficar parada", diz a aposentada, revelando ainda o apego à religiosidade.

No detalhamento por sexo, os dados do IBGE mostram que, em Santa Catarina, a expectativa de vida para mulheres chega em média a 83 anos, enquanto no Maranhão elas podem esperar viver até a casa dos 75,1 anos. Já os homens catarinenses podem esperar atingir em geral os 76,4 anos, e os maranhenses, 67.

Os dados nacionais apontam que, em 2018, as mulheres têm expectativa de vida de 79,9 anos e os homens, de 72,8 anos. 

Mesmo com os melhores números registrados no estado catarinense, Hercílio aponta que ainda há muitas cidades do estado, principalmente entre as médias e pequenas, que não contam com médicos para atendimento especializado na saúde do idoso.

Até em municípios maiores, ele revela que há falta de profissionais de gerontologia, ramo que agrega outros profissionais, como nutricionistas e até arquitetos, dedicado ao estudo dos diversos aspectos do envelhecimento. "Ainda há muito a melhorar em relação ao atendimento dessas pessoas, que têm que buscar profissionais qualificados", diz.

Mortalidade infantil Outro dado divulgado pelo IBGE diz respeito às taxas de mortalidade infantil. Um recém-nascido no Maranhão tem chance de 19,4 por 1.000 de não completar o primeiro ano de vida, muito maior do que uma criança catarinense, com 8,6 por 1.000. O estado nordestino possui o segundo pior registro nesse quesito, atrás apenas do Amapá, com 22,8 por 1.000, enquanto Santa Catarina é um dos melhores ao lado de Paraná 8,6 por 1.000) e Espírito Santo (8,1 por 1.000).

Apesar de estar à frente dos demais estados brasileiros, Santa Catarina ainda está distante de países mais desenvolvidos. Japão e Finlândia, por exemplo, possuem taxas de mortalidade infantil abaixo de 2 a cada 1.000. Por outro lado, os catarinenses ficam bem abaixo de países da África Ocidental e Central, com cerca de 90 mortes por 1.000 crianças.