Atentado com carro-bomba deixa 15 mortos no sul do Afeganistão

Por Mushtaq MOJADDIDI
Policial observa os destroços provocados por carro-bomba em Qalat, sul do Afeganistão

Quinze pessoas morreram, dezenas ficaram feridas e um hospital foi destruído nesta quinta-feira em um atentado com carro-bomba em Qalat, sul do Afeganistão, reivindicado pelos talibãs, que intensificam os atentados antes das eleições presidenciais de 28 de setembro.

"Esta manhã, um carro-bomba atacou o NDS (Serviço Afegão de Inteligência). O hospital regional que fica no mesmo local foi destruído no ataque ataque", afirmou à AFP o governador da província, Rahmatullah Yarmal.

De acordo com o porta-voz do ministério do Interior, Nasrat Rahimi, o ataque "direcionado contra um hospital civil em Qalat deixou 15 mártires, sendo dois policiais, e 66 feridos, incluindo mulheres e crianças".

Este foi o quarto atentado em três dias no país, a menos de 10 dias das eleições presidenciais. Os ataques desta semana deixaram quase 70 mortos e dezenas de feridos. Três deles foram reivindicados pelos talibãs.

"Executamos um ataque mártir contra o NDS", anunciou em uma mensagem o porta-voz dos talibãs, Qari Yousuf Ahmadi, ao assumir a autoria do atentado de quinta-feira.

O ministério do Interior informou que o ataque foi executado com um caminhão-bomba perto do hospital de Zabul às 5H50 locais.

O pânico tomou conta dos moradores da região, que correram para os hospitais em busca de informações de parentes.

O Afeganistão registra o aumento do número de atentados com a aproximação das eleições presidenciais, previstas para 28 de setembro.

Na terça-feira, 48 pessoas morreram em dois ataques suicidas, um no centro do país durante um comício do presidente Ashraf Ghani, que escapou ileso, e outro em Cabul contra um centro de recrutamento do exército.

Na quarta-feira, quatro civis morreram e vários ficaram feridos em um atentado suicida e um ataque contra um prédio oficial de de Jalalabad (leste).

Na reivindicação do ataque contra o comício de Ghani, os talibãs afirmaram que alertaram a "população a não participar em comícios de eleições de fantoches".

As eleições afegãs acontecerão depois que o presidente americano, Donald Trump, interrompeu em 7 de setembro as negociações com os talibãs para uma retirada progressiva das tropas dos Estados Unidos do Afeganistão.

O governo afegão permaneceu à margem das negociações e considera as eleições um modo de retornar ao processo.

"Qualquer caminho para a paz deve passar pelo governo", afirmou o porta-voz do presidente, Sediq Sediqqi.

O acordo que era negociado entre os talibãs e o governo dos Estados Unidos previa o início da retirada das tropas americanas em troca de garantias antiterroristas, uma "redução da violência" e negociações diretas de paz dos insurgentes com Cabul.

O exército dos Estados Unidos está presente no Afeganistão desde 2001, quando expulsou os talibãs do poder. Atualmente quase 13.000 soldados americanos permanecem no país.