Atentado mata ao menos 13 e aumenta caos no aeroporto de Cabul; Estado Islâmico é suspeito

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CABUL — Ao menos duas explosões foram registradas nesta quinta-feira no lado de fora do aeroporto internacional de Cabul, horas após diversos países ocidentais emitirem alertas para que civis deixassem a região, citando uma ameaça "muito crível" de integrantes do braço afegão do Estado Islâmico. Conhecido pela sigla em inglês Isis-K, o grupo é um inimigo comum dos Estados Unidos e do Talibã.

Segundo os talibãs, que cuidam da segurança fora do perímetro do aeroporto, ao menos 13 pessoas teriam morrido, entre elas crianças. Relatos da imprensa local, contudo, apontam que haveria ao menos 40 mortos e cerca de 120 pessoas transferidas para o hospital.

De acordo com o porta-voz do Pentágono, John Kirby, uma das explosões teria ocorrido nos arredores do Portão Abbey, o principal local de acesso ao aeroporto, classificando-a como um "ataque complexo que resultou em mortes de "americanos e civis". Uma segunda detonação, a pouco metros da primeira, teria ocorrido "no Hotel Baron ou perto de lá", prédio bastante usado por diplomatas americanos e britânicos.

Os atentados aumentam o caos no aeroporto de Cabul, onde as forças americanas e de seus aliados da Otan tentavam remover o maior número de pessoas antes do prazo final para sua retirada, 31 de agosto. Cerca de 95,7 mil pessoas já foram removidas do país, mas milhares ainda esperavam do lado de fora quando as explosões ocorreram, principalmente nos arredores do Portão Abbey.

O porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid, disse em seu Twitter que o grupo "condena veementemente" o ataque contra civis no aeroporto de Cabul, afirmando que os bombardeiros ocorreram em uma área cuja "segurança é responsabilidade dos Estados Unidos". Uma testemunha do atentado, por sua vez, disse ao canal afegão TOLO News que há "corpos sem vida e pessoas feridas por todo lugar".

Ao jornal Telegraph, fontes do governo britânico afirmaram que informações preliminares indicam que a primeira explosão teria sido causada por um homem-bomba e foi seguido por uma breve troca de tiros. Logo em seguida, a detonação no portão do aeroporto teria sido causada por um carro-bomba. Todos os portões de acesso ao aeroporto teriam sido fechados.

A autoria das explosões não está clara, mas fontes do governo britânico afirmaram ao jornal Telegraph que é "muito provável" que elas tenham sido orquestradas pelo Estado Islâmico do Khorasan, ou Isis-K. À Reuters, fontes anôminas do governo americano também afirmaram ter "bastante certeza" que o grupo foi responsável pelo ataque.

Surgido em meados de 2014, o Isis-K tem como base ex-integrantes de um grupo igualmente radical, o Tehrik-i-Taliban, “Movimento dos estudantes”, do Paquistão, presente em áreas de fronteira entre os dois países. Ele segue um modelo similar ao de outras células — chamadas de províncias — do Estado Islâmico pelo mundo: uma relativa independência da liderança do grupo, baseada na Síria e no Iraque, e levando em consideração fatores regionais.

Há dias, líderes ocidentais, inclusive Biden, avisavam que havia risco de ataques no aeroporto, mas os alertas ganharam nova dimensão na noite de quarta. Diversos países e o próprio Talibã destacaram que havia ameaças "muito críveis" do Isis-K e emitiram alertas para que os civis deixassem a região do aeroporto. Perante os riscos, vários países europeus já haviam suspendido a retirada de pessoas do Afeganistão, a cinco dias do prazo final para os militares americanos deixarem o país após 20 anos de invasão.

— Eu não posso reforçar o desespero dessa situação suficientemente. A ameaça é crível, é iminente, é letal — havia afirmado mais cedo nesta quinta o ministro das Forças Armadas do Reino Unido, James Heappey. — Nós não estaríamos dizendo isso se não estivéssemos genuinamente preocupados com o Estado Islâmico.

Apesar dos alertas internacionais, contudo, um diplomata ocidental em Cabul disse que os arredores do Aeroporto Internacional Hamid Karzai continuavam “incrivelmente lotados”, como tem sido desde que o Talibã retornou ao poder, em 15 de agosto. Nos últimos dias, tumultos na região deixaram ao menos 20 mortos, com forças estrangeiras e soldados do grupo extremista disparando para tentar conter a multidão.

Se o Talibã é responsável pela segurança do lado de fora, são os americanos que controlam a situação dentro do perímetro do aeroporto. Com voos civis interrompidos, no entanto, poucos afegãos conseguem sair, já que a prioridade de remoção é para cidadãos estrangeiros e afegãos que trabalharam para as forças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e receberam vistos dos países da aliança militar ocidental.

Não está claro qual será a reação americana ao atentado desta quinta. Biden está sendo brifado sobre a situação neste momento na Casa Branca, junto com o secretário de Estado, Antony Blinken, o secretário de Defesa, Lloyd Austin, e o chefe do Estado-Maior, Mark Milley. A vice-presidente Kamala Harris, que está em Guam após uma viagem ao Sudeste Asiático, participou por videoconferência.

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