Morre policial que foi trocado por reféns em supermercado no sul da França

(Atualiza com reação de Emmanuel Macron e outros detalhes).

Paris, 24 mar (EFE).- Com o falecimento, neste sábado, do policial que foi trocado pelos reféns retidos ontem por um suposto membro do Estado Islâmico (EI), em um supermercado na cidade de Trèbes, no sul da França, sobe para quatro o número de mortos, informou o ministro do Interior, Gérard Collomb, na sua conta do Twitter.

"A França nunca esquecerá sua bravura, seu heroísmo, seu sacrifício", afirmou o ministro francês, revelando que o tenente-coronel da gendarmaria Arnaud Beltrame, de 44 anos, não resistiu aos ferimentos.

Pouco depois, foi o presidente francês, Emmanuel Macron, ressaltando que Beltrame "salvou a vida de um refém civil" com "uma excepcional coragem e dedicação" que "merecem respeito e admiração de toda a nação", em comunicado divulgado hoje.

Com este oficial, são quatro as pessoas assassinadas pelo homem que ontem afirmou atuar em nome do EI ao fazer várias pessoas reféns em um supermercado, que terminou com a intervenção da polícia, que o mataram. Ele também deixou 15 feridos.

Redouane Lakdim, de 25 anos e nascido em Marrocos, começou no final da manhã de ontem uma jornada mortal que acabou 3h30 depois.

Primeiro ele disparou contra os dois ocupantes de um carro, matando uma vítima na hora e feriu o segundo. Então depois ele atacou um grupo de policiais que voltavam ao quartel após uma corrida matinal e um deles recebeu um tiro.

Depois entrou no supermercado, onde, assim que entrou, matou um funcionário e um cliente, antes de fazer uma mulher de refém.

O tenente-coronel Beltrame se ofereceu para trocar de lugar com a mulher e aproveitou a oportunidade para deixar seu telefone celular ligado, de forma que seus colegas que estavam do lado de fora pudessem escutar o que acontecia no interior da loja.

Precisamente, quando souberam que Lakdim disparou contra o policial, fizeram o ataque onde o terrorista acabou morto.

Beltrame, que era casado e não tinha filhos, tinha começado sua carreira como militar, saiu da academia de oficiais da Gendarmaria em 2001 com o grau de maior, dois anos mais tarde, juntou-se ao seu grupo de intervenção (GIGN) e depois de vários destinos (incluindo um no Palácio do Eliseu, residência do presidente da República), tinha chegado a Carcassonne, em agosto do ano passado.

Este foi o primeiro atentado jihadista na França desde o assassinato de dois jovens na estação de trens de Marselha, no dia 1º de outubro de 2017, e o 13º com vítimas mortais desde o ocorrido contra a revista "Charlie Hebdo", em janeiro de 2015.

Em todos eles, 202 pessoas morreram, o que coloca a França como um dos principais alvos do EI. EFE