Atentado na entrada da Chancelaria afegã mata ao menos 5 em Cabul

Pelo menos cinco pessoas morreram e várias outras ficaram feridas em um atentado suicida executado nesta quarta-feira (11) na entrada da Chancelaria afegã em Cabul, enquanto uma delegação chinesa era aguardada.

O grupo extremista Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria do ataque, informou a agência de informação jihadista Amaq.

Segundo a fonte, o autor do atentado "conseguiu passar pelos postos de controle" dos talibãs" e "detonou seu cinto de explosivos em meio aos funcionários e guardas que saíam pela porta principal" do ministério das Relações Exteriores afegão.

A explosão deixou vários mortos, "incluindo diplomatas", acrescentou.

Os talibãs afirmam ter melhorado a segurança no Afeganistão desde que voltaram ao poder, em agosto de 2021. Mas, nos últimos meses, foram registrados vários ataques, grande parte reivindicada pela base local do grupo extremista Estado Islâmico, o EI-Khorasan.

Uma equipe da AFP fazia uma entrevista dentro do Ministério da Informação, nas proximidades, e o motorista que estava esperando viu um homem armado e com uma mochila passar a seu lado antes de detonar os explosivos que levava consigo.

"Vi entre 20 e 25 vítimas. Não sei quantas delas estavam mortas ou feridas. Estava esperando no carro, quando vi um homem com um [fuzil] kalashnikov no ombro e levando uma mochila. Passou perto do meu carro e, segundos depois, houve uma forte detonação. Vi esse homem se explodir", disse o motorista, Khamshed Karimi.

O porta-voz da polícia de Cabul, Khalid Zadran, disse que cinco civis morreram e vários ficaram feridos na explosão.

Após a detonação, várias pessoas estavam caídas no chão fora do recinto de segurança onde fica o ministério, segundo um vídeo verificado pela AFP.

Algumas soluçavam no chão pedindo ajuda, enquanto alguns pedestres tentavam socorrê-las.

"Um camicaze tentou entrar no ministério, mas não conseguiu seu objetivo, foi descoberto pelas forças de segurança e se fez explodir", disse o vice-diretor-geral das Relações Públicas e Estratégicas, Ahmadullah Mutaqi.

O edifício que abriga o Ministério das Relações Exteriores parecia não ter sofrido danos.

"Hoje, uma delegação da China deveria visitar o Ministério das Relações Exteriores, mas não sabemos se estavam presentes no momento da explosão", disse o vice-ministro de Informação e Cultura, Muhajer Farahi.

Mutaqi informou que, no momento da explosão, não havia estrangeiros no local.

- Ataques contra alvos estrangeiros -

O grupo extremista EI realizou vários ataques que tiveram como alvo estrangeiros nos últimos meses, no momento em que os talibãs tentam atrair investidores de países vizinhos.

Em 12 de dezembro, um atentado reivindicado pelo EI atacou um hotel na capital afegã, onde estavam hospedados executivos chineses.

Cinco cidadãos da China ficaram feridos no ataque, no qual alguns clientes do hotel pularam pelas janelas para fugir do incêndio que se seguiu.

O grupo EI também reivindicou um ataque contra a embaixada do Paquistão em Cabul em dezembro, que o país denunciou como uma "tentativa de assassinato" contra seu embaixador.

A China não reconheceu oficialmente o governo talibã, mas tem uma fronteira comum com o Afeganistão e é um dos poucos países que mantém uma presença diplomática com os vizinhos.

As autoridades chinesas temem há tempos que o Afeganistão possa se tornar um local de passagem para os ativistas da minoria muçulmana uigur, da província fronteiriça chinesa de Xinjiang.

Os talibãs prometeram que o Afeganistão não vai ter seu território usado como base para ativistas uigures e em troca Pequim fornece apoio econômico e investimentos para a reconstrução do país.

Os talibãs também dependem da China para transformar uma grande jazida de cobre, cuja exploração é fundamental para o país, que precisa urgentemente gerar receita devido ao peso das sanções internacionais.

Especialistas consideram que os jihadistas do EI, grupo sunita assim como os talibãs, mas com os quais mantêm uma profunda animosidade, além de divergências ideológicas, são a principal ameaça para o regime de Cabul.

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