Mulher-bomba mata 16 na Rússia

Por Maria PANINA
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Corpos de vítimas de ataque suicida jazem em frente à estação de trens de Volvogrado

Uma mulher suicida matou 16 pessoas neste domingo ao detonar uma bomba na estação de trens da cidade russa de Volgogrado (antiga Stalingrado), poucas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi.

"Um artefato explodiu às 13H00 (07H00 Brasília) próximo à entrada da estação de trens de Volgogrado. Segundo as primeiras informações, uma mulher suicida o ativou", informou a comissão de investigação russa em um comunicado.

"O ataque deixou 16 mortos", declarou o primeiro-ministro do governo regional, Vassili Galouchkine, citado pela agência Interfax.

Dois feridos morreram no hospital e outras 37 pessoas seguem internadas, destacou Vassili.

A explosão ocorreu perto dos detectores de metais localizados na entrada da principal estação de trens da cidade, lotada de viajantes, informou o comunicado.

"Foi aberta uma investigação por atentado terrorista", indicou a comissão de investigação, ressaltando que a potência do artefato explosivo equivalia a 10 quilos de TNT.

Muitas ambulâncias se dirigiram à entrada do edifício, em meio aos destroços e à neve, segundo imagens divulgadas pela rede de televisão pública russa.

"Foi uma explosão muito potente", declarou Valentina Petrichenko, vendedora de uma loja da estação, à rede russa Vesti 24.

"Várias pessoas começaram a correr, mas foram lançadas pela explosão. Foi assustador", acrescentou.

O presidente russo, Vladimir Putin, encarregou os ministros da Saúde e de Situações de Emergência, assim como as autoridades locais, de tomar "todas as medidas necessárias para fornecer assistência completa a todos os feridos na explosão" e reforçar a segurança da cidade, segundo um comunicado do Kremlin.

O ministro do Interior anunciou, por sua vez, o reforço das medidas de segurança em todas as estações e principais aeroportos do país.

As autoridades elevaram o nível de alerta antiterrorista na região de Volgograd pelos próximos quinze dias.

A Otan e a União Europeia condenaram o ataque, que "não tem qualquer justificativa", segundo o secretário-geral da Aliança Atlântica, Anders Fogh Rasmussen.

O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, expressou suas "sinceras condolências" aos familiares das vítimas deste ataque "abominável".

O líder francês, François Hollande, condenou o "terrível atentado que deixou numerosas vítimas na Rússia".

"Preciso manifestar ao presidente Putin e ao povo russo nossa solidariedade neste instante", após este "terrível atentado que deixou numerosas vítimas na Rússia", declarou Hollande em Riad.

O Conselho de Segurança da ONU emitiu um comunicado no qual afirma que o terrorismo, sob todas as formas, "constitui uma das ameaças mais graves à paz e à segurança internacionais" e que "qualquer ato de terrorismo é criminoso e injustificável".


"Viúvas negras"


Segundo o site Lifenews.ru, o ataque suicida foi realizado por Oksana Aslanova, cuja cabeça arrancada foi encontrada na zona do atentado.

"Aslanova foi casada duas vezes, com dois rebeldes, ambos mortos pelas forças russas", e era uma "viúva negra", como são conhecidas as mulheres suicidas.

Para os investigadores, Aslanova teve um cúmplice no ataque, identificado apenas pelo sobrenome: Pavlov.

Procurada pelas autoridades desde junho de 2012, Oksana Aslanova era amiga da terrorista suicida que matou seis pessoas em Volgogrado em outubro passado, explodindo um ônibus, segundo a Lifenews.ru.

A suicida de outubro foi vinculada aos islâmicos que lutam contra o Exército russo na região do Cáucaso norte.

A mulher, oriunda do Daguestão, detonou seus explosivos em um ônibus lotado de estudantes, provocando a morte de seis pessoas.

As "viúvas negras" buscam se vingar da morte de membros de suas famílias nos confrontos no Cáucaso Norte atacando civis russos.

Em março de 2010, uma mulher suicida matou 40 pessoas no metrô de Moscou. Em 2004, outras duas mulheres originárias do Cáucaso Norte explodiram dois aviões de carreira que decolavam do Aeroporto Moscou-Domodedovo, matando 90 pessoas.

O ataque deste domingo provocou inquietações em matéria de segurança poucas semanas antes da realização dos Jogos Olímpicos de Inverno, entre 7 e 23 de fevereiro, na cidade de Sochi, nas margens do mar Negro e próxima à instável região do Cáucaso Norte.

A rebelião islâmica busca instaurar um Estado islamita nesta região. Seu chefe, Doku Umarov, inimigo número um do Kremlin, fez uma convocação em julho de ataques contra os Jogos de Sochi para impedir por todos os meios este evento.