Carros-bomba matam 50 na cidade síria de Aleppo

Ao menos 50 pessoas morreram, em sua a maioria soldados, em atentados com carros-bomba nesta quarta-feira no centro de Aleppo, a segunda maior cidade da Síria e grande metrópole do norte do país disputada desde julho por rebeldes e exército.

Ao mesmo tempo, o Exército realiza uma grande ofensiva na região oeste de Damasco, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), militantes e jornalistas da AFP que relataram uma presença militar incomum na região.

Mais ao norte, ao menos 15 soldados morreram em ataques de rebeldes coordenados contra postos militares e em combates em Bdama, uma localidade da província de Idleb, de acordo com o OSDH, que se baseia em uma rede de testemunhas e militantes.

Do outro lado da fronteira turca, obuses disparados a partir do lado sírio mataram cinco pessoas, entre elas uma mulher e uma criança, e feriram outras nove na cidade de Akçakale, atingida nos últimos dias por disparos de artilharia e obuses efetuados em combates entre rebeldes e o Exército, anunciou o prefeito da localidade.

O vice-primeiro-ministro da Turquia, Besur Atalay, afirmou que "o incidente é muito grave", enquanto o chefe da diplomacia turca, Ahmet Davutoglu, convocou uma reunião de emergência no Ministério das Relações Exteriores. O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan se reuniu com conselheiros para, segundo uma fonte, estudar uma eventual resposta.

Em Aleppo, a maioria dos mortos e feridos do triplo atentado "são membros das forças governamentais. As explosões tiveram como alvos um clube de oficiais militares e postos de controle do Exército", ressaltou o OSDH, citando fontes médicas.

Uma autoridade local havia anunciado pouco antes o registro de "37 mortos e dezenas de feridos", muitos em estado grave.

Dois carros-bomba explodiram em um intervalo de um minuto em duas ruas próximas a um clube de oficiais militares, que fica perto da famosa Praça Sadala al-Khabiri, no coração de Aleppo.

Um terceiro carro-bomba explodiu a 150 metros da praça.

"Ouvimos duas explosões muito fortes, era como se as portas do inferno se abrissem", contou à AFP Hassan, funcionário de um hotel de 30 anos. "Eu tirei dos escombros uma criança de menos de dez anos que perdeu uma perna", declarou um comerciante.

A televisão oficial Al-Ijbariya exibiu imagens de dois edifícios totalmente destruídos na praça e de corpos ensanguentados entre os escombros.

Um grupo jihadista, a Frente Al Nosra, reivindicou a autoria dos atentados na Web afirmando que "alcançou quatro objetivos usados pelas forças do regime, incluindo um clube de oficiais e o hotel Al Amir".

O comunicado foi acompanhado por fotos dos prédios danificados pelas explosões e dos autores dos atentados.

Acessos bloqueados

Na província de Damasco, os bairros periféricos de Qoudssaya e de Al-Hama, dois redutos rebeldes do Exército Sírio Livre (ESL, composto por desertores e civis armados), foram "bombardeados por tanques do Exército que, além disso, realiza perseguições e prisões nos arredores", segundo o OSDH.

De acordo com um militante em Damasco, o exército cortou todos os acessos a esses bairros, que já haviam sido atacados, "mas não de forma tão violenta".

No bairro de Doummar, jornalistas da AFP e habitantes viram ao menos três tanques e sete caminhões militares, assim como muitos soldados, nas ruas. Ao menos quatro acessos à capital foram bloqueados, inclusive para as famílias que tentavam levar seus filhos para a escola.

A província de Damasco, assim como os quatro bairros da periferia da capital, é palco de violentos combates desde meados de julho. O jornal oficial Al-Baath anunciou na terça-feira que o fim das operações de segurança em Damasco está próximo.

Em todo o país, mais de 100 pessoas morreram em meio à violência, segundo um registro provisório do OSDH.

Na província de Hama (centro) pelo menos 16 pessoas, entre elas três crianças e cinco mulheres, morreram durante o bombardeio pelo Exército sírio de um vilarejo, Sahn.

Com mais de 31.000 pessoas mortas em 18 meses de conflito, em sua maioria civis, de acordo com o último levantamento do OSDH, não há uma solução à vista para o conflito sírio devido às divisões da comunidade internacional, entre o Ocidente, que defende a saída de Assad, e o eixo Rússia-China-Irã, aliados de Damasco.

Neste contexto, o mediador internacional Lakhdar Brahimi deve retornar a região nesta semana na esperança de conseguir uma redução da violência.

Sobre as preocupações de vários líderes internacionais, o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil El-Arabi, considerou que as consequências da crise síria "poderão ser catastróficas, não apenas para a Síria, mas para todo o mundo árabe",

A violência na Síria tem tido reflexos nos países vizinhos, com combates nas fronteiras e a chegada incessante de refugiados a países como Turquia, Líbano e Jordânia.

O número de sírios refugiados em países fronteiriços triplicou nos últimos três meses, superando os 300.000, anunciou o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur), que acredita que este número deva duplicar até o fim do ano.

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