Atestados falsos são vendidos no centro de SP para quem quer furar fila da vacinação

RIO DE JANIERO, BRAZIL - MAY 24: A public health worker prepares a dose of the AstraZeneca vaccine at a COVID-19 vaccination clinic at Museu da Republica (Museum of the Republic) on May 24, 2021 in Rio de Janeiro, Brazil. COVID-19 has claimed more than 1 million lives in Latin America and the Caribbean, with nearly half of those deaths in Brazil. Only three percent of the population of Latin America has been fully vaccinated against COVID-19. Health experts are warning that Brazil should brace for a new surge of COVID-19 amid a slow vaccine rollout and relaxed restrictions. The state of Sao Paulo has registered over 3 million cases of COVID-19 and more than 100,000 deaths. Nearly 450,000 people have died in Brazil by COVID-19, second only to the U.S. (Photo by Mario Tama/Getty Images)
Foto: Mario Tama/Getty Images
  • Valores vão de R$ 150 a R$ 220

  • Laudos falsos trazem todas as informações necessárias, incluindo assinatura de médico com CRM

  • Secretaria de Segurança investiga o comércio ilegal que se instalou na região

Vendedores ambulantes da Praça da Sé, no centro de São Paulo, estão oferecendo atestados médicos falsos de comorbidade para quem quer se vacinar contra Covid-19 antes da sua vez.

Os vendedores oferecem um “kit completo”, com atestado médico de doença e receituário de medicamento, de acordo com apuração do jornal Folha de S. Paulo. O kit custa R$ 220.

O comércio de atestados não é raro na região, mas tomou novos rumos com a nova fase da vacinação contra a Covid-19, que está imunizando pessoas com comorbidades, tais quais diabetes, hipertensão e doenças cardíacas. Para receber a dose, no entanto, é preciso de atestado comprovando ter a doença.

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A venda ocorre entre a saída do metrô Sé e a entrada do Poupatempo, na Praça do Carmo, onde há diversos policiais militares de plantão. De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, os atestados são oferecidos às pessoas que passam pelos “arrastadores”.

Os atestados, de acordo com o jornal, vêm com nome completo do falso paciente, número da CID (Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde) e assinatura e carimbo de uma médica com CRM (Conselho Regional de Medicina).

Os vendedores oferecem o atestado por R$ 150, mas recomendam também a aquisição de uma receita falsa para compra de medicamento para a doença que se tenta comprovar. De acordo com a reportagem, os ambulantes afirmam que assim há mais credibilidade na hora de se vacinar. A credibilidade aumenta se a receita for usada em uma farmácia e, assim, receber o carimbo de um farmacêutico.

A Secretaria de Segurança Pública afirma que o caso será investigado. Um homem já foi preso pela venda de atestados de comorbidade falsos, no último dia 11. Com ele, foram apreendidos vários atestados já assinados. A Secretaria também garantiu que as polícias Civil e Militar atuam na região para impedir esse tipo de comércio.

A Secretaria de Estado de Saúde também foi acionada. De acordo com a Folha de S. Paulo, a pasta enviou na última sexta-feira (27) ao Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo), o nome dos cem médicos que mais emitiram atestados e laudos de comorbidades para vacinação.