Atirador sofria bullying na escola e por isso parou de estudar, diz mãe

Fachada da Escola Estadual Raul Brasil, de Suzano (SP), após tragédia. Foto: Mauricio Sumiya/Futura Press

Guilherme Taucci de Monteiro, 17 anos, um dos atiradores da tragédia de Suzano (SP), parou de estudar devido ao bullying. A informação foi confirmada pela mãe, Tatiana Taucci, para a TV Bandeirantes.

No momento da entrevista, Tatiana estava indo para a casa de seu pai, que morava com Guilherme, para entender o que aconteceu. Ela disse só ter ficado sabendo do ocorrido pela TV. Na entrevista, quando perguntada se o filho sofria bullying por causa das espinhas no rosto, ela respondeu: “Ele até parou de estudar por causa disso”.

Ela disse não saber da intenção do filho em comprar uma arma. “Meu filho era uma criança tranquila. Tinha 17 anos, para mim era uma criança. Era um moleque tranquilo, não falava nada, ficava jogando videogame”, disse ela quando perguntada da lembrança de seu filho.

Tragédia de Suzano

Na manhã desta quarta-feira, dois jovens, Guilherme Taucci Monteiro, 17, e Luiz Henrique de Castro, 25, invadiram a escola estadual Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo e atiraram em várias pessoas. Ao todo, foram seis estudantes mortos – quatro dentro da escola e dois que foram socorridos a hospitais -, e duas funcionárias do colégio. Os dois autores se mataram em seguida.

O comandante da Polícia Militar, coronel Marcelo Vieira Salles, detalhou a ação dos adolescentes. “Os dois atiradores, antes de entrarem na escola, atiraram contra o proprietário de um lava rápido na frente, que está passando por cirurgia na Santa Casa de Suzano. Ao ingressarem na escola, eles atiraram na coordenadora pedagógica e em outra funcionária. Foram ao pátio, atiraram em quatro alunos do Ensino Médio e se dirigiram ao Centro de Estudos de Línguas. Os alunos do centro se trancaram na sala junto com uma professora. Depois, os dois (atiradores) se suicidaram no corredor quando se sentiram cercados pela polícia”.

Um dos atiradores estava armado com um revólver, calibre 38, quatro carregadores de munição, além de um coldre para guardar o armamento. O mesmo atirador portava uma machadinha na cintura e, ao lado dos corpos deles, havia uma arma besta – ou balestra – de atirar dardos ou flechas.

A polícia também encontrou garrafas que aparentam ser coquetéis molotov e há ainda uma mala com fios. O esquadrão antibombas foi chamado por conta do artefato e agentes do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) fazem uma varredura na escola procurando outros possíveis explosivos.

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