Atitude 67 vai viajar pelo Brasil gravando músicas em vários destinos; Rio é a primeira parada

Isabella Cardoso
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Eles bem que gostam de um boteco e uma cerveja de garrafa, mas a resenha, por meses, ficou restrita a ser dentro de casa. Agora, os meninos do Atitude 67 começam a tocar, a todo vapor, mais um projeto, desta vez passeando por aí com seu “samba-rock-pantaneiro”, como eles classificam o estilo da banda. “Atitude no rolê - Onda” é o nome do novo EP do grupo, composto por seis amigos do Mato Grosso do Sul, que gravou duas músicas no Rio e outras duas na Bahia, em Salvador, na semana passada. Em terras fluminenses, o local escolhido foi o Caminho Niemeyer, em Niterói, com toda a visão da Baía de Guanabara.

— A gente pensa nas duas músicas que gravamos aqui há muito tempo, e uma delas fala sobre o Rio. Começamos a desenhar essa ideia do “Atitude no rolê” na quarentena. Pretendemos andar por várias cidades do Brasil, gravando as músicas nelas. Para começar, demos o nome de “Onda” à primeira etapa, que envolve litoral. Tentamos captar essa vibe do Rio mesmo, do samba, do botequim, da praia, que Salvador também tem. Estamos bem animados e muito felizes de começar o projeto nesses dois lugares que somos apaixonados — afirma Pedrinho Pimenta, um dos vocalistas, que lamenta ter ficado pouco no Rio: — Foram dois dias inteiros de gravação. Desta vez não deu muito para aproveitar. Mas sempre quando tocamos aí, estendemos a viagem uns dois, três dias. Adoramos o Rio e, em breve, pretendemos voltar só para curtir mesmo.

O tempo de isolamento social foi bastante produtivo para a banda, que lançou seu primeiro DVD, “Label 67”, e o “Arraiá 67”, um álbum com releituras de canções do forró e sertanejo, antes de se dedicar ao novo projeto. Amigos de infância, Pedrinho Pimenta, Éric Polizér, Karan Cavallero, GP, Leandro Osmar e Regê moram juntos em São Paulo há quatro anos, desde que decidiram investir de vez na carreira artística. Pedrinho confessa que convivendo com os colegas de trabalho 24 horas por dia é difícil separar o pessoal do profissional.

— Temos mais de 15 anos de amizade e sempre quisemos morar junto. Começamos num apartamento com dois quartos e um banheiro para seis caras. Agora cada um pelo menos tem seu quarto, então, a gente consegue ter nosso momento de privacidade. (risos) Mas como a gente vive o Atitude 67, fica difícil mesmo separar o trabalho da vida pessoal. Vira e mexe, estamos jogando videogame falando da agenda ou lavando a louça conversando sobre o disco novo. A gente convive assim e é muito legal. Essa irmandade que temos transparece — diz Pedrinho.

Em terra onde predomina o sertanejo, os amigos de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, começaram a tocar pagode e samba ainda na escola. “Pensamos, na época com 13 ou 14 anos, no nome Atitude porque pouca gente tocava esses gêneros por lá. Fizemos o grupo de pagode e tocávamos Jeito Moleque, Inimigos da HP, Belo...”, lembra Pedrinho, contando que o 67 no nome veio depois: “Quando nos mudamos para São Paulo, em 2016, brincavam com o número do nosso telefone, já que 67 é o DDD de Mato Grosso do Sul. Começaram a nos chamar de ‘os caras do 67’. Aí colocamos no nome”.

Apesar do começo no pagode, o grupo faz música para todos os estilos e gostos. “É difícil classificar porque misturamos muito. Usamos instrumentos do samba e do pagode, mas mesclamos com rap. Apesar de a gente ter crescido junto, cada um gosta de uma coisa. Eu sempre curti muito rap e samba antigo. Tem um que gosta de reggae, outro é do sertanejo, outro é mais MPB. Na hora de compor, vai um pouco de cada um e é uma mistureba. Chamamos de “samba-rock-pantaneiro”.

Eleito Melhor Grupo do Ano no Prêmio Multishow 2019, o Atitude 67 resolveu apostar todas as fichas no sonho de cantar profissionalmente só em 2016. Todos eles, que agora estão na média dos 30 anos, já tinham outras profissões. Pedrinho era jornalista, dois eram advogados, um oceanógrafo, um arquiteto e um empresário. “Se alguém me contasse, eu não iria acreditar que viramos o que viramos, mas a gente acreditava muito na nossa música. Seis pessoas focando a energia em prol do mesmo objetivo ajudou as coisas a darem certo”, conclui Pedrinho.