Atividade portuária cresceu 87% no primeiro trimestre em Niterói

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NITERÓI — A recessão provocada pela pandemia da Covid-19 levou a atividade econômica em Niterói a cair 7,7% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2020, mas não parou o setor naval na cidade. O movimento de carga e descarga portuária, estacionamento, operação de terminais e armazéns apresentou um crescimento de 87% de janeiro a março, considerando os registros de emissão de nota fiscal eletrônica na cidade. O segmento de atenção à saúde foi aquele em que o município mais recolheu Imposto Sobre Serviços (ISS) no período, num total de R$ 11 milhões.

Os números constam na primeira edição do Boletim de Movimento Econômico da Secretaria municipal de Fazenda. O documento destaca 15 setores que mais emitiram nota fiscal no primeiro trimestre de 2021. Além das atividades no porto, prestadoras de serviços de informação, o que envolve provedores de internet, e profissionais de áreas científicas e técnicas, que atuam em sua maioria com agenciamento de embarcações, foram os únicos setores que apresentaram crescimento, de 65,5% e 61,9% respectivamente.

As atividades no porto se beneficiaram diretamente do tráfego de equipamentos para a exploração de petróleo e gás na Bacia de Santos. Superintendente de gestão portuária dos portos do Niterói e do Rio, Leandro Rodrigo Alves Lima diz que as atividades navais não foram afetadas pelas medidas restritivas de isolamento social, mas ele avalia que a pandemia de forma geral refletiu negativamente.

— Não posso dizer que não impactou, porque poderia ter havido um ganho maior se não fosse a pandemia, mas não teve nenhum impacto negativo tão grande. Todos mantiveram suas operações normalmente, após treinamento com os colaboradores para adoção das novas medidas sanitárias. As atividades de exploração de petróleo não pararam pelo dinamismo e pelo valor agregado desse setor. A nossa expectativa é que essa demanda aumente ainda mais — prevê.

Pelo boletim, os segmentos que tiveram maior redução do faturamento no município, no primeiro trimestre do ano, foram os de atividades jurídicas, contábeis e de auditoria, com queda de 68,5%; o de comércio e reparação de veículos, com menos 53,1%; e atividades imobiliárias, com movimentação 46,3% inferior ao mesmo período de 2020.

O impacto da pandemia e a recuperação gradativa do setor econômico são observados quando analisados os últimos 15 meses. Nos primeiros três meses de 2020, foram emitidas em média 1,1 milhão de notas fiscais em Niterói. Em abril, maio e junho, quando entraram em vigor as primeiras medidas de isolamento social, o número caiu para 179.500 notas. No primeiro trimestre já foram pouco mais de um milhão.

Arrecadação de ISS

O Boletim de Movimento Econômico também traz dados sobre a arrecadação do ISS no primeiro trimestre do ano. Neste período, seis setores se destacaram: atenção à vida humana, que arrecadou mais de R$ 11 milhões; apoio à extração de minerais (R$ 3,8 milhões); fabricação de produtos de borracha e de material plástico (R$ 3,6 milhões); serviços de arquitetura e engenharia (R$ 2,9 milhões); armazenamento e atividades auxiliares dos transportes (R$ 2,6 milhões); e educação (R$ 2,3 milhões).

De acordo com a secretária municipal de Fazenda, Marilia Ortiz, o boletim será publicado a cada três meses.

— As informações das notas fiscais de ISS são valiosas para o acompanhamento da economia da cidade, apontando tendências de novos setores em desenvolvimento ou setores afetados pela crise. São informações importantes tanto para o setor produtivo como para que os gestores públicos possam estruturar políticas de desenvolvimento econômico mais efetivas e baseadas em evidências— explica.

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