Atividades e visitas como a de Jorge Jesus levam esperança a crianças do Inca; veja vídeo

Diego Amorim

RIO — Para as crianças que passam por tratamentos oncológicos no Instituto Nacional do Câncer (Inca), qualquer gesto de carinho, entusiasmo e alento são essenciais dentro do processo de recuperação e luta contra a doença. A visita de um ídolo, a presença de um bichinho de estimação ou uma simples ida ao cinema: são várias as iniciativas que levam os pequenos pacientes a se "desligarem" da rotina difícil e desgastante.

— Todas essas atividades ajudam a tirar as crianças da rotina cansativa e difícil entre o quarto e o hospital. É muito importante que elas tenham esse "respiro" — conta a cozinheira Bruna de Assis, de 29 anos, mãe da pequena Kaylanne de Oliveira, de 8 anos, que luta contra um tumor ocular: — A minha filha adora as recreações.

Na última quinta-feira, o técnico Jorge Jesus, campeão da Copa Libertadores e do Brasileirão com o Flamengo, visitou o setor de pediatria do Inca, na Praça da Cruz Vermelha, Centro do Rio, e conversou com pacientes e familiares. Durante a visita, Kaylanne já não estava mais no hospital. A saída antecipada foi motivo de queixas com a mãe.

— Minha filha é flamenguista apaixonada pelo time e brigou porque fomos embora mais cedo. Eu estava cansada e decidi ir embora logo após o tratamento dela.

Logo após a visita, Jesus publicou fotos da visita no perfil de uma rede social. Com as imagens, o técnico afirmou que os direitos autorais, que couberem a ele, na venda da biografia "Mister Jesus — Quebrando paradigmas no futebol", de Rui Pedro Braz, a ser lançada em dezembro, para projetos do hospital. "Espero ver o Inca cada vez melhor e mais forte", destacou ele, que pousou para fotos com crianças da unidade. Os vídeos da visita foram feitos pela Jump Digital Marketing e Jonatas Jesus.

— Foi um encontro onde as crianças puderam ver de perto um ídolo do futebol, que chegou cheio de afeto e solidariedade. Em troca, Jorge Jesus foi abraçado e recebido super bem por todos — conta uma funcionária do Inca, que não quis se identificar.

Hope, a golden retriever que auxilia na terapia de crianças

Quem também não abre mão de dar e receber carinho dos pequenos pacientes é a cachorrinha Hope. Uma vez por semana, desde abril deste ano, a golden retriever auxilia na terapia de crianças que passam por tratamentos oncológicos no hospital. A ideia surgiu quando a médica da ala pediátrica do Inca Bianca Santana ouviu de um paciente, já em estágio avançado da doença, o último pedido: rever o seu cão.

— Como a família dele morava longe, não foi possível trazer o cachorro do menino. Crianças transplantadas não podem ter contato direto com ela. Mas um dia, um menino pediu para olhar de longe, e já ficou feliz. A vida é feita desses pequenos momentos. O nosso objetivo é que eles se desliguem do hospital, que se sintam como se estivessem em casa, trazer um pouco do conforto do lar — conta a médica.

Responsável pela Casa Ronald McDonald, instituição que apoia jovens portadores de câncer e as famílias, Carlos Neves, reforça importância dos trabalhos voluntários:

— Os passeios ao teatro, a pontos turísticos, ao cinema, ao circo e a jogos de futebol são importantes para ocupar a mente de pais e das crianças. Dentro desse processo doloroso, ter momentos de entusiasmo é muito importante. Já ouvi que, se não fossem as atividades e todo o apoio dado, muitos pequenos não teriam sobrevivido.

Inscrições para voluntários reabrem em janeiro

Voluntários precisam ter mais de 21 anos, documentação em dia e disponibilidade de quatro horas fixas por semana. Além disso, caso sejam ex-pacientes do Inca, o fim do tratamento precisa ter ocorrido há pelo menos um ano; e, caso tenham casos de câncer na família (paciente que tenha falecido ou em controle da doença) é necessário ter pelo menos um ano do fim do tratamento ou do falecimento. As inscrições para o programa de voluntariado será reaberto em 27 de janeiro do ano que vem, quando 20 vagas estarão disponíveis todas as segundas-feiras.

Mesmo orçamento desde 2014

Segundo o defensor público Daniel Macedo, da Defensoria Pública da União (DPU), o orçamento destinado ao Inca anualmente se mantém constante desde 2014, quando ele deveria acompanhar o aumento da demanda. Em 2014, a dotação foi de R$ 418 milhões, passando para R$ 411 milhões em 2015, R$ 405 milhões em 2016 e em 2017 e cerca de R$ 423 milhões no ano passado. Para 2019, o valor foi de R$ 421.884.220 — onde quase 75% estava previsto ser utilizado no aperfeiçoamento, na avaliação e no desenvolvimento de ações e serviços especializados em oncologia.

— Os valores não são alterados desde 2014, enquanto o número projetado de casos ano a ano é de mais de 600 mil pessoas. E esse número só tende a aumentar, já que o acesso ao diagnóstico é maior e a população está envelhecendo. Nesse contexto, o orçamento do instituto permanece o mesmo. Mas, por outro lado, os custos de medicamentos e insumos estão cada vez mais altos. E os tratamentos interrompidos em outros hospitais pressionam o Inca, que tem recebido cada vez mais pacientes.